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O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (5) que, após o início da guerra no Oriente Médio, as expectativas de inflação voltaram a subir para este ano e para os próximos. Ainda assim, a autoridade monetária avaliou que esses acontecimentos recentes não impedem a continuidade do ciclo de corte de juros e considerou mais adequada uma redução de 0,25 ponto percentual, como a registrada na semana passada.
As informações estão na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia foi reduzida de 14,75% para 14,5% ao ano. Foi o segundo corte seguido da Selic, que serve de referência para os juros bancários.
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Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes
Banco Central
O BC acrescentou que, desde março, ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028.
Apesar da piora nas expectativas, o Banco Central julgou apropriado seguir reduzindo os juros. Segundo a avaliação registrada na ata, o período prolongado em que a taxa foi mantida em 15% ao ano — o maior patamar em 20 anos, mantido até março de 2026 — contribuiu para desacelerar a economia e criou condições para que a queda da Selic seja compatível com a redução das expectativas de inflação nos próximos anos.
A autoridade monetária também não deu indicação sobre quais serão os próximos passos em relação à taxa de juros.
Já economistas do mercado financeiro projetam novos cortes. A estimativa dos analistas é que a Selic encerre este ano em 13% ao ano.
Para definir os juros, o Banco Central atua com base no sistema de metas. Quando as projeções de inflação estão em linha com as metas, há espaço para reduzir a taxa. Se estão acima, o Copom tende a manter ou elevar a Selic.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e é considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Ao definir a taxa de juros, o BC considera as projeções futuras de inflação, e não apenas a variação corrente dos preços, porque os efeitos de mudanças na Selic demoram de seis a 18 meses para impactar plenamente a economia.
Neste momento, por exemplo, a instituição já mira a meta considerando o ano de 2027 fechado. Para o próximo ano, o mercado financeiro estimou, na semana passada, que o IPCA ficará em 4%, acima da meta central de 3%.
Na ata, o Banco Central apontou que a incerteza em relação ao cenário externo permaneceu em níveis elevados, citando tanto as tensões geopolíticas quanto as incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos.
O documento também registra que a atividade econômica doméstica manteve uma trajetória de moderação no crescimento, ou seja, de desaceleração — movimento buscado pela política monetária. O BC ressalta que o arrefecimento da demanda agregada é parte essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda e da convergência da inflação à meta.
Outro ponto destacado foi o efeito da política fiscal. Segundo a avaliação do BC, gastos públicos têm impacto de curto prazo, principalmente ao estimular a demanda agregada e aumentar a pressão inflacionária. O texto aponta que uma política fiscal contracíclica, que contribua para reduzir o prêmio de risco, favorece a convergência da inflação à meta.
Por fim, a autoridade monetária reafirmou que, no cenário atual — marcado por forte aumento de incerteza —, a condução da política monetária exige serenidade e cautela, para que os próximos passos no processo de calibração da taxa básica de juros incorporem novas informações sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos diretos e indiretos sobre os preços ao longo do tempo.