Datafolha: reprovação ao governo Lula alcança 39%, aprovação fica em 30%
Pesquisa ouviu 2.004 pessoas em maio e indica estabilidade em relação a abril; 29% avaliam como regular.
A “febre” das canetas emagrecedoras e a maior demanda por terapias avançadas, com medicamentos de alto custo, devem pressionar a inflação médica e podem levar a reajustes mais altos nos planos de saúde empresariais. A expectativa, segundo especialistas consultados pelo g1, é que os custos médicos subam entre 8% e 11% em 2026.
Caneta emagrecedora
Foto: Reprodução/TV Globo
Uma pesquisa da consultoria Willis Towers Watson (WTW) aponta que os gastos com medicamentos estão entre os principais fatores que puxam os custos de saúde nas Américas — com destaque para remédios mais modernos voltados à obesidade e ao diabetes.
Embora os planos de saúde no Brasil ainda não contemplem medicamentos para emagrecimento, como as canetas injetáveis, o rol de procedimentos ampliou a cobertura ambulatorial para alguns tratamentos oncológicos, além de medicamentos voltados a doenças raras e autoimunes
Walderez Fogarolli, diretora de saúde e benefícios da Willis Towers Watson (WTW)
Ao mesmo tempo, entidades de saúde no Brasil e no mundo seguem discutindo como tratar a obesidade no longo prazo. No fim do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou as primeiras diretrizes sobre o uso de canetas emagrecedoras no combate à doença, classificando esses medicamentos como uma ferramenta potencialmente essencial para ajudar milhões de pessoas a superar a obesidade e reduzir os danos associados.
No Brasil, projetos de lei apresentados no Congresso no ano passado passaram a tratar do uso de medicamentos contra a obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
Nesse cenário, a avaliação do setor é que, embora os planos ainda não sejam obrigados a cobrir as canetas emagrecedoras, a obesidade vem sendo cada vez mais reconhecida como doença crônica — o que pode influenciar decisões judiciais contra as operadoras, dependendo do caso.
Segundo a pesquisa da WTW, 67% das seguradoras acreditam que medicamentos à base de GLP-1 vão elevar os custos médicos nos próximos três anos. Na prática, esse movimento também pode pressionar novos reajustes dos planos de saúde.
Esses medicamentos imitam a ação do hormônio GLP-1, produzido pelo próprio corpo. Ele ajuda a controlar o apetite, aumenta a sensação de saciedade e regula a liberação de insulina.
Especialistas apontam que, apesar do peso dos medicamentos, outros fatores influenciam os custos da saúde, como regulação e judicialização no Brasil, tecnologias mais caras (muitas ligadas ao dólar), comportamento dos usuários, além de desperdícios e fraudes.
No contexto da saúde, judicialização é quando pacientes recorrem à Justiça para obrigar planos a cobrir tratamentos, exames ou medicamentos que não foram autorizados.
O superintendente técnico e atuarial da Mercer Marsh Benefícios, Thomás Ishizuka, afirma que a frequência de uso do plano e o custo médio dos atendimentos — chamado de “severidade” no jargão do setor — entram diretamente na conta dos reajustes.
Para 2026, a Mercer Marsh estima inflação médica entre 8% e 9%, enquanto os reajustes dos planos empresariais devem variar de 8% a 10%. Já a WTW projeta alta de 11% neste ano, mas não detalhou os reajustes dos planos.
Apesar da alta projetada para 2026, a avaliação é que a inflação médica deve desacelerar em relação ao ano passado, refletindo um esforço maior das operadoras para combater fraudes e controlar custos após o aumento das despesas no pós-pandemia.
Dados do Relatório de Tendências Globais de Custos Médicos da Aon indicam alta de 9,7% nos custos médicos corporativos no Brasil — queda de 3,2 pontos percentuais em relação aos 12,9% projetados para 2025.
Segundo o diretor executivo da Mercer Marsh Benefícios, Marcelo Borges, os esforços se concentraram em duas frentes: mudanças na coparticipação e maior controle sobre reembolsos e rede credenciada.
De um lado, o aumento da coparticipação ajudou a reduzir o uso indevido dos planos, como idas frequentes ao pronto-socorro sem urgência, excesso de exames e repetição de consultas sem necessidade. Do outro, regras mais rígidas para reembolsos foram adotadas após a identificação de casos de fraude, em que beneficiários tentavam obter ressarcimentos indevidos.
Por fim, Borges afirma que, nos últimos anos, houve renegociação das operadoras com hospitais e clínicas da rede credenciada. Na prática, isso envolveu revisão de contratos e adoção de medidas para segurar custos, como pacotes fechados de procedimentos e regras mais claras para diárias hospitalares.
O diretor de Health & Talent da Aon no Brasil, Fabio Martinez, ressalta que, mesmo com a desaceleração, o setor ainda enfrenta o desafio de incentivar o uso mais eficiente dos planos de saúde.
Para ele, a gestão de custos precisa equilibrar o acesso a tratamentos mais eficazes — e mais caros — com a inclusão frequente de novas tecnologias e medicamentos no rol da ANS.