Datafolha: reprovação ao governo Lula alcança 39%, aprovação fica em 30%
Pesquisa ouviu 2.004 pessoas em maio e indica estabilidade em relação a abril; 29% avaliam como regular.
O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) afirmou nesta terça-feira (5/5) que pretende definir até o fim de maio se vai anunciar sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais. Pacheco segue como a principal aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a formação de um palanque em Minas em torno de sua reeleição.
Antes de participar de uma sessão solene no Senado Federal, o senador sinalizou que ainda está em fase de avaliação e estabeleceu um horizonte para a decisão.
A hipótese do senador "voltar para o radar" do STF chegou levantada já que era o desejo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), citado como um dos responsáveis por arquitetar a negativa dada ao nome indicado por Lula
Foto: Pedro França/Agência Senado
Vou analisar. Acho que até o final deste mês de maio é um bom tempo
Rodrigo Pacheco
A fala ocorre poucos dias após Pacheco descartar, a aliados, a possibilidade de ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pedir que não houvesse articulações em torno do seu nome. Nos bastidores, o senador voltou a ser mencionado depois que o Senado rejeitou, na última quarta-feira (29/4), o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula para a Corte.
O parlamentar mineiro já havia sido cotado no ano passado para uma indicação de Lula, à vaga do ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro de 2025. Na ocasião, porém, o presidente manteve Pacheco como nome prioritário para a disputa ao governo de Minas em outubro e optou por indicar Jorge Messias.
Interlocutores e senadores também aventaram a possibilidade de Pacheco “voltar para o radar” do STF por causa do relacionamento entre ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), citado como um dos responsáveis por arquitetar a negativa ao indicado por Lula. Segundo o texto, Pacheco era o nome defendido por Alcolumbre para compor a Suprema Corte.
Em conversas com aliados, Pacheco confirmou que votou a favor de Messias, após gestos públicos de apoio ao AGU junto à bancada do PSB. O senador disse ainda tentar entender como se deu a rejeição ao indicado à Corte e reforçou que a possibilidade de ir ao STF é, para ele, uma “página virada” — mesma versão já apresentada à imprensa em março, durante agenda com Lula em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. Na ocasião, afirmou ter tratado do tema também com o presidente.
Nesta quinta-feira, Pacheco disse que “nada ainda foi agendado” com o presidente do PT, Edinho Silva, para avançar com sua pré-candidatura ao Palácio Tiradentes.
Após filiar-se ao PSB e indicar a correligionários a predisposição para disputar a sucessão de Romeu Zema (Novo), Pacheco mantém a possível candidatura em “stand by”. No PT, o texto relata que integrantes não escondem a “ansiedade” por uma decisão que coloque o senador oficialmente no tabuleiro eleitoral.
No último domingo (3/5), a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), publicou um vídeo nas redes sociais em que fez um apelo para que Pacheco se declare pré-candidato ao governo estadual. Ela afirmou que a pergunta que mais ouve é se o senador será candidato e defendeu que ele entre na disputa, dizendo que Minas precisa ser reconstruída e citando a experiência e a capacidade de diálogo do parlamentar.
No entorno do senador, o entendimento é que as pesquisas eleitorais divulgadas o colocam em boa condição para oficializar a entrada na disputa. Ao mesmo tempo, também há a avaliação de que “não há motivos para antecipar” a movimentação.
Enquanto não confirma a pré-candidatura, Pacheco mantém compromissos do mandato. Na última quinta-feira (30/4), por exemplo, ele participou no Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional de uma agenda com cerca de 30 prefeitos, vereadores e representantes municipais. Na solenidade, a pasta assinou ordens de serviço para obras em mais de 20 cidades mineiras, especialmente no Norte do estado, muitas delas custeadas com emendas destinadas pelo senador.
Um dos líderes municipais presentes disse à reportagem que a agenda causou espanto entre prefeitos, por não considerar esse tipo de cerimônia comum no perfil do senador. O mesmo interlocutor afirmou:
“Não é do perfil dele entregar obras, participar de assinatura de ordens de serviço”.
O mesmo interlocutor afirmou.
Outro interlocutor relatou que Pacheco foi aclamado pelos prefeitos com aplausos e gritos de “nosso governador”. Segundo o texto, sem indicar candidatura, ele apenas agradeceu a saudação. No discurso, fez elogios ao governo Lula e voltou a comentar problemas de Minas, mencionando a dívida do estado com a União, estimada em R$ 180 bilhões, e a articulação para a criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que deu ao Palácio Tiradentes novas condições para abater o débito.
O texto relata ainda que, ao tratar do tema, Pacheco afirmou não querer saber quem são os culpados, mas desejar entregar uma solução ao estado. Também disse gostar de uma política de entregas, e não de “uma política de celular, de TikTok”. Para um interlocutor ouvido, o tom foi de pré-campanha, apesar de o senador manter o mistério sobre a decisão.