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O adulto preso na Bahia por suspeita de participação no estupro coletivo de duas crianças na Zona Leste de São Paulo deve ser transferido nesta terça-feira (5) para a capital paulista. O crime ocorreu em 21 de abril e as vítimas são dois meninos, de 7 e 10 anos.
Além de Alessandro Martins Santos, de 21 anos, quatro adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, foram apreendidos por envolvimento no caso.
Policiais e Alessandro Martins dos Santos (à esquerda) embarcam em avião na BA com destino em SP. Homem é suspeito de participar de estupro coletivo de crianças na capital paulista
Foto: Reprodução/Polícia Civil de SP e GCM Brejões
A previsão é de que o avião comercial que transportará Alessandro pouse por volta das 12h20 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na região metropolitana. O voo partirá do Aeroporto de Vitória da Conquista, na Bahia.
O suspeito foi preso na última sexta-feira (1º) pela Polícia Militar (PM) em Brejões, na Bahia. A Polícia Civil de São Paulo enviou dois agentes ao estado para realizar a transferência. A TV Globo informou que não conseguiu localizar as defesas dele e dos demais detidos para comentar o assunto.
Segundo policiais, Alessandro é o único adulto envolvido no crime, confessou participação no estupro coletivo e disse que deixou São Paulo após ser ameaçado por criminosos.
A investigação é conduzida pelo 63º Distrito Policial (DP), na Vila Jacuí. Na segunda-feira (4), policiais da delegacia apreenderam um adolescente de 15 anos por suspeita de participação no estupro. Antes disso, outros três menores de 18 anos já haviam sido detidos.
A Polícia Civil apura quem fez as ameaças e se o objetivo também era intimidar as famílias das vítimas para que não procurassem as autoridades.
Dos quatro adolescentes envolvidos, dois foram apreendidos na capital paulista e um em Jundiaí, no interior. O quarto foi localizado após a polícia manter contato com familiares do procurado para viabilizar a apresentação dele na delegacia.
Os cinco suspeitos vão responder por estupro de vulnerável, divulgação de imagens e corrupção de menores. Os adolescentes serão encaminhados à Fundação Casa para cumprimento de medidas socioeducativas. O adulto deverá ser enviado a uma prisão comum.
De acordo com a investigação, o adulto e os adolescentes atraíram as crianças com um convite para empinar pipa antes do crime. Segundo o 63º DP, os suspeitos conheciam as vítimas e se aproveitaram da relação de confiança para levá-las ao imóvel onde ocorreram os abusos.
Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram para soltar pipa. Elas foram atraídas para esse imóvel porque falaram: ‘vamos soltar pipa, aqui tem uma linha’
delegada Janaína da Silva Dziadowczyk
O caso chegou ao conhecimento da polícia em 24 de abril, três dias após o crime, depois que a irmã de uma das vítimas viu imagens dos abusos circulando nas redes sociais e procurou a delegacia para registrar a denúncia. Segundo a Polícia Civil, em cinco dias foi possível identificar todos os envolvidos.
Ainda de acordo com policiais, a família das vítimas vinha sendo pressionada por pessoas da comunidade a não registrar boletim de ocorrência.
A irmã que fez a denúncia não morava com a mãe das crianças e só soube do crime ao reconhecer o irmão mais novo nas imagens. Conforme a polícia, a família chegou a deixar a comunidade após sofrer ameaças.
A investigação aponta que o homem preso na Bahia teria tido a ideia de gravar o crime. Ele filmou os abusos com o próprio celular e repassou os vídeos a amigos por WhatsApp. As imagens se espalharam nas redes sociais — o que também é crime — e, agora, a polícia tenta identificar quem compartilhou o material.
As crianças recebem atendimento médico e psicológico e são acompanhadas pelo Conselho Tutelar. As famílias também foram acolhidas por serviços sociais da Prefeitura de São Paulo. O local onde estão foi mantido em sigilo para proteção das vítimas, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).