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O programa Fantástico exibiu o relato de uma jovem que afirma ter sido vítima de abusos sexuais durante a infância e a adolescência cometidos pelo lutador e treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão, preso nesta semana.
Hoje maior de idade, ela diz que começou a treinar com o treinador aos sete anos e que os primeiros episódios de assédio teriam começado quando tinha 12 anos. Segundo o depoimento, o treinador oferecia benefícios como kimono e patrocínio de viagem, o que teria facilitado a aproximação.
Ele oferecia alguns benefícios, como kimono, patrocínio de viagem. Aos meus 12 anos, com isso, ele teve a oportunidade de pedir para um dia me buscar na escola. Foi quando ele pediu para eu passar a mão nele.
De acordo com a jovem, dois anos depois o treinador a levou a um motel. Ela relata que foi quando houve relação sexual.
Os abusos, segundo a reportagem, teriam ocorrido há aproximadamente dez anos. A vítima e a mãe afirmam que, na época, tiveram medo de denunciar.
Ela também afirmou que outras pessoas teriam conhecimento do que acontecia, especialmente no ambiente da academia, mas que o assunto teria sido tratado como algo a ser deixado para trás.
Vítimas detalham acusações contra treinador de jiu jitsu, Melqui Galvão
Foto: Reprodução/TV Globo
Uma outra vítima, ainda adolescente, relatou que, durante uma viagem para um campeonato fora do país, o treinador teria oferecido um remédio para ajudá-la a “relaxar”. Ao acordar, segundo ela, ele estaria com a mão dentro da blusa.
Ao ser confrontado pela família da adolescente, Melqui Galvão enviou áudios tentando minimizar o ocorrido. Em uma das mensagens, sugeriu que teria tocado apenas a barriga da adolescente e insinuou que ela poderia ter interpretado mal a situação. Para a polícia, os áudios indicariam uma tentativa de relativizar o abuso e transferir a responsabilidade para a vítima.
Uma terceira vítima, também menor de idade, disse em depoimento que não sofreu abuso sexual, mas relatou controle de alimentação e sugestões de vantagens em troca de aproximação física.
Melqui Galvão é um nome conhecido no esporte. Ele é dono de academias em São Paulo e no Amazonas e é pai e mentor do lutador Mica Galvão, destaque internacional do jiu-jitsu.
De acordo com a Polícia Civil, ao menos três ex-alunas formalizaram denúncias contra o treinador. A Justiça de São Paulo autorizou a prisão temporária, após identificar indícios de que ele estaria tentando atrapalhar as investigações e suprimir provas.
Também foi determinada a quebra do sigilo de celulares e dispositivos de informática ligados ao investigado. Ele responde por crimes como importunação sexual, estupro de vulnerável, invasão de dispositivo informático e ameaça.
A defesa de Melqui Galvão afirma que ele é inocente, diz que ainda não teve acesso completo aos materiais apresentados e ressalta que o cliente está à disposição das autoridades, aguardando o esclarecimento dos fatos.