Proposta de elevar etanol na gasolina para 32% aguarda aval do CNPE após reunião ser cancelada

Mudança para o chamado E32 reacendeu discussões sobre consumo e rendimento; governo defende ampliação do biocombustível e redução de importações.

05/07/2026 às 12:25 por Redação Plox

A proposta de elevar de 30% para 32% a quantidade de etanol anidro na gasolina comum reacendeu o debate sobre consumo, preço e rendimento dos veículos. A mudança, chamada de E32, ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A reunião prevista para 24 de junho foi cancelada por motivos de agenda, sem nova data anunciada.

A proposta de elevar de 30% para 32% a quantidade de etanol anidro na gasolina comum reacendeu o debate sobre consumo, preço e rendimento dos veículos.

A proposta de elevar de 30% para 32% a quantidade de etanol anidro na gasolina comum reacendeu o debate sobre consumo, preço e rendimento dos veículos.

Foto: Reprodução

Atualmente, a gasolina comum vendida nos postos brasileiros é formada por 70% de gasolina pura e 30% de etanol anidro. Já a gasolina premium mantém teor de 25% de etanol. A Lei do Combustível do Futuro permite que o governo eleve a mistura da gasolina comum até 35%, desde que haja comprovação de viabilidade técnica.

Rendimento pode cair, mas efeito varia entre veículos

Como o etanol possui menor conteúdo energético por litro do que a gasolina, o aumento da participação do biocombustível tende a provocar uma pequena elevação no volume necessário para percorrer a mesma distância. Isso não significa, porém, que todos os automóveis terão a mesma perda de autonomia.

Um estudo técnico do Centro de Pesquisas da Petrobras comparou misturas E25, E27,5 e E30 e registrou aumento de até 2,5% no consumo específico em determinadas condições de teste. O resultado não pode ser aplicado diretamente ao E32 nem interpretado como uma redução automática de 2,5% na quilometragem de todos os carros, já que o desempenho depende do motor, da calibração eletrônica, das condições de uso e da forma de condução.

Os ensaios também mostraram comportamentos diferentes conforme a tecnologia dos veículos. Alguns modelos mais antigos apresentaram tendência de piora no desempenho, enquanto automóveis de tecnologias mais recentes tiveram pouca alteração ou até pequenas melhorias em determinadas avaliações. Até o momento, não há indicação oficial de que a mistura provoque danos generalizados aos motores, mas proprietários de modelos antigos ou importados devem seguir as orientações do fabricante.

Preço na bomba não depende apenas da nova mistura

O Ministério de Minas e Energia defende o E32 como uma forma de ampliar o uso do biocombustível produzido no Brasil e reduzir a necessidade de gasolina importada. A pasta estima que a mudança possa diminuir em cerca de 500 milhões de litros por mês as importações do combustível, além de fortalecer o setor sucroenergético.

Para o motorista, entretanto, o efeito financeiro dependerá da relação entre uma eventual redução no preço do litro e a possível perda de rendimento. Por isso, a comparação mais adequada será pelo custo por quilômetro rodado, e não somente pelo valor exibido na bomba.

Enquanto o CNPE não aprovar formalmente a alteração e definir um cronograma de implantação, a gasolina comum continuará sendo comercializada com 30% de etanol anidro.

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