PF aponta promoção sem experiência mínima e omissão de panes em voo da Voepass
Relatório final sobre a queda do voo 2283, em Vinhedo (SP), cita relatos de pressão para não registrar falhas técnicas; acidente matou 62 pessoas.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou os Estados Unidos de tentarem interferir na eleição presidencial de outubro após a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Em nota divulgada na noite desta terça-feira (4), a Presidência classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil”.
Trump e Lula
Foto: Divulgação / Presidência da República.
A revogação foi anunciada em meio a um impasse sobre a indicação de Daniel Perez para comandar a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Washington afirma que o Brasil vem demorando a conceder o agrément, autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma oficialmente o posto, e também menciona a negativa de vistos a dois funcionários norte-americanos.
O governo brasileiro classificou os argumentos do Departamento de Estado como falsos. A Presidência sustenta que não existe prazo determinado pelas normas internacionais para a concessão do agrément e afirma que o nome de Perez foi anunciado publicamente pelos Estados Unidos antes da conclusão da consulta diplomática ao Brasil.
O Planalto também defendeu a decisão de impedir a entrada no país dos funcionários do Departamento de Estado Riley Barnes e Samuel Samson. Segundo o governo brasileiro, os dois planejavam realizar atividades destinadas a questionar a integridade do sistema eleitoral, o que foi tratado pela Presidência como uma tentativa de interferência no processo político nacional.
Do lado norte-americano, um integrante do Departamento de Estado afirmou à Reuters que a revogação foi uma medida de reciprocidade diante da negativa dos vistos e da demora na análise do indicado para a embaixada. Washington rejeita a acusação de interferência e declara que respeitará o resultado das eleições brasileiras.
A retirada do visto não significa, neste momento, a expulsão de Maria Luiza Viotti dos Estados Unidos. Uma autoridade norte-americana informou que o documento poderá ser restabelecido caso o impasse diplomático seja solucionado e o Brasil aprove formalmente o indicado de Donald Trump para a embaixada em Brasília.
Viotti permanece como embaixadora brasileira em Washington. Até a manhã desta quarta-feira (5), não havia anúncio de acordo entre os dois governos, enquanto a indicação de Daniel Perez continuava sob análise das autoridades brasileiras.