Passagens aéreas de BH para Brasília são mais baratas do que para o Vale do Aço

05/11/2019 15:40

Apesar de ser quase o quádruplo da distância, passagens aéreas para a capital federal são mais baratas do que para o aeroporto que atende o Vale do Aço

Publicidade

Ir de avião do Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, para o Vale do Aço, é mais caro do que ir para o Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília. Seria normal se a distância entre a capital mineira e a capital federal não fosse quase quatro vezes maior.

Belo Horizonte está a 212 km de Ipatinga e 734 km de Brasília. O voo saindo do Aeroporto de Confins (CNF) para o Aeroporto de Brasília (BSB) tem a duração estimada em 01 hora e 20 minutos, enquanto a duração do voo para o Aeroporto Regional do Vale do Aço (IPN) é de aproximadamente 45 minutos, quase a metade.

WhatsApp-Image-2019-10-08-at-13.43 Foto: Marcelo Augusto/Plox

Ainda assim, levando em conta os valores praticados pela Azul Linhas Aéreas, que é a única empresa que faz o trajeto CNF-IPN, o valor para o Vale do Aço é maior do que para o trajeto CNF-BSB.

Em um domingo, a passagem mais barata para Brasília, desde Belo Horizonte, sai a R$ 613,49, enquanto a passagem mais em conta no mesmo dia para Ipatinga sai a R$ 737,49. Com antecedência, pode-se achar passagens para a capital federal a partir de R$ 221,49, enquanto para o Vale do Aço, o valor mínimo é de R$ 391,49.

Procurada pelo Plox, a Azul Linhas Aéreas, por meio de nota, atribui como principal fator para o valor elevado das passagens para o Vale do Aço o jetfuel (combustível de aviação), que, segundo a empresa “pode chegar a 40% dos custos”.

A empresa atribuiu também o valor das passagens às dificuldades enfrentadas no abastecimento e nos custos com os aviões menores que fazem o trajeto, devido a demanda, que além de ser mais onerosa, acaba dividindo “os custos daquela operação por um menor número de passageiros”.

Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), no período de janeiro a agosto deste ano o aeroporto que atende o Vale do Aço recebeu cerca de 28,7 mil passageiros provenientes de Confins, enquanto o de Brasília recebeu cerca de 300 mil.

Confira a nota na íntegra:

"O combustível de aviação é um dos principais insumos da indústria de transporte aéreo global. No Brasil, dadas as políticas de preços praticadas, custos logísticos e impostos, ele pode chegar a 40% dos custos. Além disso, por ser uma indústria globalizada, muitos insumos e custos das empresas aéreas são dolarizados, trazendo uma dificuldade adicional para as empresas brasileiras que tem que lidar com câmbio alto e volátil e altos impostos para remessa de pagamentos em dólares ao exterior.
 
Isso afeta especialmente a aviação regional já que combustível, se disponível, é ainda mais caro em aeroportos do interior. Quando não tem, precisamos abastecer grandes volumes para ida e volta, queimando ainda mais jetfuel para transportar essa quantidade adicional. Além disso, aviões menores têm maior custo de combustível, tripulação, organização terrestre (aeroportos e pessoal de terra) e leasing por assento ofertado. Utilizando um avião menor, precisamos diluir os custos daquela operação por um menor número de passageiros. Por último, muitos aeroportos fora das capitais do país contam têm estrutura precária e não permitem operações com baixa visibilidade ou noturnas, onerando a operação das empresas e dificultando a expansão de serviços.
 
Minas é o estado em que temos mais voos internos, assim como BH é o segundo maior hub da empresa com 92 voos diários para 42 destinos no Brasil e exterior. Minas e Bahia são os dois únicos estados em que atingimos a marca de 10 cidades atendidas. Estamos sempre estudando novas possibilidades, mas no momento há apenas a intenção de incremento de voos em Valadares e retomada de serviços em Divinópolis. Ambos dependem de melhorias de infraestrutura."



Publicidade