MPMG denuncia falso médico por práticas ilegais e riscos à saúde no Vale do Aço

Ele é proprietário da empresa DWL Brasil – Produtos Naturais Ltda e oferece na internet um protocolo supostamente milagroso para "limpeza do fígado"

Por Plox

05/12/2024 06h49 - Atualizado há 9 meses

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma Ação Civil Pública (ACP) para barrar a divulgação de conteúdos ligados a um homem que se apresenta como médico, mas não possui formação ou registro profissional. Ele é proprietário da empresa DWL Brasil – Produtos Naturais Ltda e oferece na internet um protocolo supostamente milagroso para "limpeza do fígado", além de vender suplementos associados a essa prática. A ação teve início no Vale do Aço, onde as práticas foram denunciadas.

Foto: Divulgação

Protocolo arriscado e propaganda enganosa

O suposto tratamento divulgado pelo falso médico combina ingredientes como vinagre de maçã, sal amargo, sucos cítricos e azeite de oliva. Segundo ele, o método pode curar diversas doenças, sendo necessário deitar-se em uma posição específica para maximizar os efeitos. Apesar das promessas, especialistas alertam para os perigos do protocolo, que inclui jejum e pode levar a complicações como hipoglicemia severa.

Além disso, ele comercializa produtos como o "Kit Limpeza Hepática" e outros suplementos, promovendo-os em redes sociais como Facebook, Instagram e YouTube, onde possui uma grande base de seguidores. Grupos no WhatsApp também são utilizados para atrair novos interessados e divulgar relatos de supostos casos de sucesso.

Impacto nacional e esquema de marketing fraudulento

As práticas do falso médico foram identificadas em vários estados brasileiros, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Amazonas e Paraná, além de relatos internacionais em Lisboa, Portugal. Promotores do caso destacam que ele usa estratégias de marketing enganosas para reforçar sua credibilidade.

“Ele criava uma falsa imagem de profissional capacitado, utilizando feedbacks de clientes como ferramenta de propaganda para atrair mais vítimas”, explicaram Rafael Pureza Nunes da Silva e Reinaldo Pinto Lara, promotores responsáveis pela ação. Segundo eles, o esquema funcionava como um ciclo de desinformação, propagando resultados inexistentes para angariar novos adeptos.

Anvisa e especialistas condenam práticas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliou que a publicidade feita pelo réu, exaltando propriedades terapêuticas dos produtos, é ilegal e prejudicial. Um parecer médico anexado ao processo reforça que o protocolo divulgado pode comprometer tratamentos médicos sérios, representando um risco significativo à saúde.

Medidas judiciais e denúncia criminal

Na ação, o MPMG solicita a retirada imediata de todos os conteúdos publicados pelo falso médico, incluindo os materiais presentes em redes sociais e aplicativos de mensagens. Também foi pedido o bloqueio de bens, como imóveis e veículos, além da indisponibilidade de ativos financeiros. A promotoria pleiteia uma indenização por danos morais coletivos, estimada em pelo menos R$ 500 mil.

Além da ACP, o acusado também foi denunciado por exercício ilegal da medicina, charlatanismo e curandeirismo, crimes previstos no Código Penal.

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