Uso ilegal de formol em salões persiste apesar dos riscos à saúde

Apesar da proibição pela Anvisa, alisantes com formol continuam populares em São Paulo, expondo clientes e profissionais a perigos

Por Plox

06/01/2024 19h22 - Atualizado há 5 meses

O uso de formol em produtos alisantes, proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009 devido aos seus efeitos nocivos, continua sendo uma prática comum em salões de beleza de São Paulo, e potencialmente em todo o Brasil. Esta substância, conhecida por causar desde irritação nos olhos até câncer nas vias aéreas, ainda é adotada por muitos profissionais da beleza apesar dos riscos conhecidos.

 

Uma cliente de São Paulo relata sua experiência, "Eu tenho o cabelo ondulado. Ele é mais volumoso e frisado que cabelos lisos, característica que me levou a gastar boas horas dos 15 aos 19 anos (entre 2013 e 2017) com alisante nos fios. As cabeleireiras juravam que não tinha formol - é um 'alinhamento', diziam -, mas meu olho ardia tanto que era necessário usar um pano molhado para acalmar."

 

Apesar de um movimento crescente de valorização dos cabelos naturais, cabeleireiros como uma que atende em Vila Medeiros, zona norte de São Paulo, ainda indicam progressivas com formol para cabelos afro e fios grossos. A situação é similar em outras regiões da cidade, como os Jardins e a Vila Leopoldina, onde profissionais oferecem tanto opções com quanto sem formol, dependendo da preferência do cliente.

 

Uma pesquisa da Anvisa em 2022 revelou que 35% dos fiscais encontraram uso irregular de formol em alisantes. A agência esclarece que "Formol nunca foi permitido com função alisante em cosméticos. A única previsão legal era ter na composição presença numa concentração de até 0,2% como conservante."

 

Os riscos do formol vão além de irritações menores. Dr. Reinaldo Tovo Filho, coordenador do Núcleo de Dermatologia do Hospital Sírio-Libanês, enfatiza a toxicidade da substância, utilizada inclusive para conservar cadáveres. A dermatologista Larissa Montanheiro, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, alerta para consequências graves como dermatite de contato, queimaduras no couro cabeludo, e até mesmo riscos de câncer e intoxicação.

 

Enquanto a FDA nos Estados Unidos planeja proibir alisantes com formol, no Brasil a responsabilidade pela fiscalização dos salões recai sobre as Vigilâncias Sanitárias municipais. Em São Paulo, denúncias podem ser feitas no Portal 156. 

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