Economia

Dólar abre em alta e mercados globais reagem à prisão de Maduro e a dados da economia

Moeda americana é negociada a R$ 5,4122 em dia de atenção às tensões políticas na Venezuela, à perspectiva de controle do petróleo por Washington e a novos indicadores no Brasil e nos EUA

06/01/2026 às 10:09 por Redação Plox

O dólar abriu em alta nesta terça-feira (6) e avançava 0,13% por volta das 9h01, negociado a R$ 5,4122. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem abertura prevista para as 10h.

Os mercados seguem atentos às tensões políticas na Venezuela e aos sinais da economia global. Enquanto as commodities registram movimentos relevantes, investidores aguardam indicadores e discursos capazes de mexer com as projeções econômicas para 2026.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik

Dólar e Ibovespa: desempenho recente

No câmbio, o dólar acumula queda de 0,34% na semana, recuo de 1,52% no mês e baixa de 1,52% em 2025.

Na renda variável, o Ibovespa sobe 0,83% na semana, acumula alta de 0,46% em dezembro e o mesmo ganho de 0,46% no ano.

Tensões entre EUA e Venezuela e impacto no petróleo

A prisão de Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos trouxe forte volatilidade aos mercados na segunda-feira (5). Além das incertezas geopolíticas com ataques e ameaças ao país latino-americano, investidores avaliam possíveis efeitos sobre a oferta global de petróleo.

Uma das primeiras declarações de Donald Trump após a prisão foi a de que os EUA passariam a controlar o petróleo venezuelano e enviariam petrolíferas americanas de volta ao país para “consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado”. O presidente também acusou governos venezuelanos de terem se apropriado à força de uma indústria que, segundo ele, foi construída com capital e conhecimento dos EUA.

Construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós durante as administrações anteriores. Donald Trump

Para Trump, o episódio representa “um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país”.

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, a principal dúvida do mercado é como os fluxos de petróleo da Venezuela podem mudar diante das ações adotadas por Washington.

A produção venezuelana já vinha em queda acentuada nas últimas décadas, afetada por má gestão e pela falta de investimentos estrangeiros após a nacionalização das operações petrolíferas nos anos 2000. Com a ofensiva dos EUA, parte do mercado passou a apostar na liberação e disponibilização do petróleo venezuelano, o que elevaria a oferta da commodity no cenário internacional.

Os preços do petróleo fecharam em alta na segunda-feira, movimento acompanhado pelo ouro e pela prata. Títulos de dívida da Venezuela também avançaram, refletindo expectativas de reestruturação das obrigações do país.

Agenda econômica no Brasil e no exterior

No Brasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulga à tarde os dados da balança comercial de dezembro, com um balanço das exportações e importações no fechamento do ano. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin participa de coletiva para comentar os resultados.

No exterior, a atenção se volta para a divulgação do PMI de dezembro dos Estados Unidos e para o discurso de Tom Barkin, presidente do Fed de Richmond, que vai tratar das projeções econômicas para 2026.

Boletim Focus: inflação, juros e câmbio

As projeções do mercado financeiro apontam para queda dos juros, menor ritmo de crescimento da economia, inflação dentro da meta e câmbio relativamente estável. As estimativas integram a primeira rodada de previsões do ano.

Os dados constam do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central, que compila expectativas de mais de 100 instituições financeiras com base em pesquisa da última semana.

No caso da inflação, a previsão para 2025 — ainda a ser confirmada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — segue dentro do intervalo de tolerância do sistema de metas, assim como as estimativas para os anos seguintes:

Para 2025, a projeção recuou de 4,32% para 4,31%, na oitava redução consecutiva. Para 2026, houve leve alta, de 4,05% para 4,06%. Para 2027, a estimativa permaneceu em 3,80%.

Na atividade econômica, o mercado manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 em 2,26%. Para 2026, ano de eleições presidenciais, a expectativa segue em 1,80%.

No câmbio, após a queda superior a 11% do dólar em 2025 — em um ambiente de juros elevados no Brasil — e encerramento do ano a R$ 5,4887, a projeção é de que a moeda norte-americana termine 2026 em R$ 5,50.

Bolsas americanas reagem à crise venezuelana

Os principais índices de Wall Street abriram em alta na segunda-feira, apoiados na recuperação das ações de tecnologia e no avanço dos papéis de empresas petrolíferas após a prisão de Maduro em operação militar conduzida pelos EUA.

Ações de gigantes do setor de energia, como Exxon Mobil e Chevron, registravam ganhos firmes, acompanhadas por empresas de serviços petrolíferos, mesmo com o recuo do petróleo diante do temor de excesso de oferta.

Na abertura, o Dow Jones subia 0,19%, a 48.475,81 pontos. O S&P 500 avançava 0,49%, a 6.892,19 pontos, enquanto a Nasdaq Composite ganhava 0,92%, a 23.449,669 pontos.

Europa e Ásia em alta com setor de defesa em destaque

Na Europa, os principais índices encerraram o pregão em alta, sustentados pelo desempenho do setor de defesa em meio ao aumento das tensões geopolíticas. A perspectiva de ampliação dos orçamentos militares impulsionou ações do segmento, que atingiram o maior nível em quase três meses.

O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,94%, a 601,76 pontos, superando pela primeira vez a marca de 600 pontos.

Entre as principais praças, Londres avançou 0,54%, com o FTSE 100 aos 10.004,57 pontos. Em Frankfurt, o DAX ganhou 1,34%, para 24.868,69 pontos. Em Paris, o CAC 40 teve alta de 0,20%, a 8.211,50 pontos.

As bolsas asiáticas também fecharam em forte alta, puxadas pelo setor de defesa.

Em Tóquio, ações de fabricantes como IHI Corp e Mitsubishi Heavy Industries dispararam. Na Coreia do Sul, o Kospi renovou recorde histórico pelo segundo pregão seguido, apoiado também por papéis de tecnologia.

O Nikkei avançou 2,97%, a 51.832,80 pontos; o Kospi subiu 3,43%, a 4.457,52 pontos; e o Taiex, em Taiwan, ganhou 2,57%, a 30.105,04 pontos.

Em Hong Kong, o Hang Seng ficou praticamente estável, com leve alta de 0,03%, a 26.347,24 pontos. Na China continental, o Xangai Composto subiu 1,38%, a 4.023,42 pontos, enquanto o Shenzhen Composto avançou 2%, a 2.581,52 pontos.

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