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Política
Facção venezuelana citada por Trump tem membros no Brasil
Facção venezuelana mantém integrantes em ao menos seis estados, faz alianças com PCC e Comando Vermelho e é apontada por tráfico de mulheres e por cemitério clandestino com 10 corpos em Boa Vista
06/01/2026 às 10:12por Redação Plox
06/01/2026 às 10:12
— por Redação Plox
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O Tren de Aragua, maior facção criminosa da Venezuela, já mantém integrantes atuando em ao menos seis estados brasileiros. A principal concentração está em Roraima, na fronteira com o país vizinho, rota de entrada de milhares de refugiados nos últimos anos.
Ao justificar sequestro de Maduro no último sábado (3), Trump citou o envolvimento do venezuelano com a facção Tren de Aragua
Foto: Reprodução / Salvadoran Government.
O suposto envolvimento do líder venezuelano Nicolás Maduro com o grupo é apontado como uma das motivações para o sequestro dele e de sua esposa, Cilia Flores, por forças norte-americanas no último sábado (3/1). Ambos foram levados para o Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, em Nova York.
Um grande júri federal dos Estados Unidos indiciou Maduro por narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. A acusação prevê pena mínima de 20 anos de prisão, podendo chegar à prisão perpétua, conforme denúncia apresentada em Nova York.
Estrutura criminosa no alto escalão venezuelano
De acordo com a acusação, Maduro teria liderado, por mais de duas décadas, uma estrutura criminosa instalada no alto escalão do Estado venezuelano. O esquema utilizaria instituições públicas, forças de segurança, aeroportos, portos e canais diplomáticos para facilitar o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos.
Maduro enviou gangues, assassinas e selvagens, incluindo a Sangrenta Gangue de Trem de Aragua, para aterrissar comunidades americanas em todo o país. Eles fizeram isso, ele fez isso. Tomavam complexos de apartamento, cortavam dedos de pessoas que ligavam para a polícia, foram brutais. Eles não serão mais brutais agora
Donald Trump
Avanço da facção no Brasil
Segundo a Polícia Civil de Roraima, já há membros “diplomáticos” do Tren de Aragua em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em São Paulo e no Rio, os traficantes venezuelanos se aliaram às duas maiores facções brasileiras: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Roraima foi a principal porta de entrada desses criminosos. Desde pelo menos 2016, integrantes do Tren de Aragua passaram a chegar ao estado, misturados a cidadãos venezuelanos sem vínculo com o crime e se apresentando como refugiados.
Com o tempo, o grupo ganhou espaço em Boa Vista. Em um primeiro momento, os criminosos se estabeleceram discretamente, mas, gradualmente, aumentaram em número e em confiança, passando a disputar territórios com outras facções e impulsionando a violência na capital.
Dados oficiais indicam que os homicídios saltaram de 90, em 2020, para 127, em 2021, período em que o Tren de Aragua conquistou pontos de venda de cocaína. A partir daí, a facção venezuelana consolidou alianças estratégicas com PCC e CV, tornando-se principal fornecedora de armas para os grupos brasileiros e garantindo o transporte de cargas de cocaína vindas da Colômbia, via território venezuelano.
Tráfico de mulheres e execuções brutais
Além do tráfico de drogas e de armas, o Tren de Aragua opera um sofisticado esquema de tráfico de mulheres, com forte atuação sobre vítimas venezuelanas em situação de vulnerabilidade.
Segundo investigação revelada pelo Metrópoles, a maioria das vítimas é composta por mulheres que enfrentam fome e miséria na Venezuela. Elas são convencidas a vir ao Brasil sob a promessa de melhores condições de vida, mas acabam exploradas em casas de prostituição controladas pela facção, que cobra taxas e impõe dívidas crescentes.
Em muitos casos, a rotina de exploração e violência leva essas mulheres ao vício em drogas, o que amplia ainda mais os débitos com o grupo criminoso. Quando a conta não fecha, algumas são executadas de forma exemplar para intimidar outras vítimas.
No fim de 2024, a Polícia Civil de Roraima localizou um cemitério clandestino ligado ao Tren de Aragua, em Boa Vista, onde foram encontrados 10 corpos. Entre eles, havia cinco mulheres com indícios de desmembramento, assim como as demais vítimas enterradas no local, o que expõe o grau de crueldade empregado pela facção.