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Flagra de cobranças abusivas em praias e reacende debate sobre uso público da faixa de areia

Reportagem expõe consumação mínima, cobrança antecipada de até R$ 800 e práticas ilegais em praias de SP, Rio e PE, levando autoridades a reforçarem que a praia é espaço público

06/01/2026 às 06:44 por Redação Plox

O Fantástico deste domingo (4) percorreu praias famosas do litoral brasileiro e flagrou práticas comerciais abusivas contra turistas. O tema ganhou ainda mais repercussão após o caso de agressão a um casal que se recusou a pagar o valor cobrado pelo aluguel de guarda-sol e cadeiras.


O Fantástico encontrou casos de cobranças abusivas nas praias brasileiras

O Fantástico encontrou casos de cobranças abusivas nas praias brasileiras

Foto: Reprodução/Fantástico

Cobrança antecipada e consumação mínima em SP

Na praia da Cocanha, em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, a exigência de consumação mínima começa já na chegada. Os atendentes informam que trabalham com crédito antecipado, em que o valor pago é usado ao longo do dia.

Na Praia Grande, também no litoral paulista, a prática se repete. Em uma das barracas visitadas pela equipe de reportagem, o valor mínimo de consumo chega a R$ 250. Após ser informada de que conversava com um repórter do Fantástico, a dona do estabelecimento negou que fizesse esse tipo de cobrança.

“Day use” e cobrança alta no Rio de Janeiro

Em um estabelecimento na Zona Sul do Rio, a consumação mínima aparece com outro nome: “day use”. Um funcionário explica que o atendimento funciona com pagamento antecipado de R$ 800 pelo uso das espreguiçadeiras, valor que seria revertido em consumo. Ao ser questionado se seria possível permanecer no local sem pagar, ele afirma que não.

A prefeitura do Rio de Janeiro informou que o local não tem autorização para ocupar a faixa de areia.

O que a lei permite nas praias

A praia é um espaço público de livre circulação. O aluguel de mesas, cadeiras e guarda-sóis é permitido por lei, mas o consumidor deve ser informado sobre o preço no momento da contratação.

Segundo a Secretaria de Patrimônio da União, é proibido reservar áreas na praia com instalações fixas. Cadeiras, mesas e guarda-sóis só podem ser colocados quando o cliente solicita, e não podem transformar trechos da faixa de areia em áreas privadas.

Consumação mínima é ilegal, diz Secretaria Nacional do Consumidor

De acordo com o secretário Nacional do Consumidor, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, a exigência de consumação mínima fere a legislação de defesa do consumidor.

Entende-se que o valor mínimo restringe a liberdade de escolha do consumidor e pode configurar venda casada — e isso é absolutamente proibido na legislação Paulo Henrique Rodrigues Pereira

Ele também destaca que o preço não pode ser considerado abusivo, sob pena de violar o Código de Defesa do Consumidor, que proíbe práticas que limitem a liberdade de escolha ou imponham condições desvantajosas ao cliente.

Segundo reforça Paulo Henrique, alugar uma cadeira não transforma o comerciante em dono da praia, e a cobrança deve ser transparente, proporcional e sem exigência de consumação obrigatória.

Fantástico amplia debate sobre abusos nas praias

As equipes do programa localizaram diferentes casos de cobranças irregulares em praias brasileiras, registrando situações em que turistas eram pressionados a pagar valores antecipados, consumação mínima elevada ou serviços vinculados a uso obrigatório de estruturas na areia.

O caso de agressão em Porto de Galinhas, citado na reportagem, expôs como essas práticas abusivas podem resultar em conflitos e violência, ao mesmo tempo em que reacendeu o debate sobre o respeito ao consumidor e ao caráter público das praias.

Além da reportagem na TV, o tema também é aprofundado em conteúdos digitais e em podcasts do Fantástico, que reúnem grandes reportagens, investigações e histórias em formato de áudio, com foco em profundidade, contexto e informação.

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