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Política
Nunes diz que prisão de Maduro pode reduzir fluxo de venezuelanos, mas promete manter acolhimento em SP
Prefeito de São Paulo afirma que cidade seguirá recebendo migrantes, destaca 27 mil vagas na rede de acolhimento e defende primazia da dignidade humana diante da crise na Venezuela
06/01/2026 às 08:30por Redação Plox
06/01/2026 às 08:30
— por Redação Plox
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira (5) que espera uma redução na migração de venezuelanos para a capital após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, mas garantiu que a cidade continuará acolhendo quem chegar.
“Agora que foi capturado o ditador Nicolás Maduro, que estava exercendo a Presidência de forma ilegítima, porque ele fraudou as eleições e tiveram mais de 8 milhões de venezuelanos que tiveram que fugir do seu país, a gente espera que com essa situação do afastamento dele diminua a necessidade de que as pessoas fujam”, afirmou.
Nunes destacou que a rede de acolhimento municipal tem 27 mil vagas, das quais 21 mil estão ocupadas. Segundo ele, a expectativa é de que venezuelanos deixem de procurar refúgio em São Paulo, mas, se isso ocorrer, a cidade seguirá recebendo os imigrantes.
Prefeito de São Paulo afirmou nesta segunda-feira (5) que espera redução da migração após prisão de Nicolás Maduro, mas diz que capital seguirá acolhendo venezuelanos.
Foto: Reprodução / PMSP.
“Hoje nós temos 27 mil vagas, estamos com 21 mil locais ocupados nos nossos abrigos. Espero que não venham [os venezuelanos], até porque agora eles não têm necessidade, tendo em vista estar preso e respondendo lá na justiça dos Estados Unidos esse ditador Nicolás Maduro, amigo do Lula. A gente espera agora que eles não não necessitem vir para cá. Se vierem, obviamente, a cidade de São Paulo vai receber a todos com muito carinho, como sempre fez”, finalizou.
A declaração foi dada durante coletiva de imprensa após a entrega de títulos de regularização fundiária urbana da CDHU, em evento que contou com a participação do governador em exercício Felicio Ramuth, na Escola Estadual Professora Bernardete Aparecida Pereira Godoi.
Nunes critica debate sobre direito internacional e fala em ‘demagogia’
O prefeito afirmou que tem acompanhado manifestações sobre direito internacional em relação à captura de Maduro, mas argumentou que haveria um direito fundamental sendo negligenciado, o da dignidade humana.
Segundo Nunes, há relatos de venezuelanos nas redes sociais, tanto os que permanecem no país quanto os que migraram, pedindo que pessoas que não viveram a realidade local evitem opinar sobre o tema.
“Eu acho que só quem já viveu ditadura pode ter condições de dizer sobre essa ação de você tirar o ditador do país, né? [....] Então, a gente precisa ter primeiro a questão de um direito fundamental, que é o direito da dignidade humana. Que direito internacional você pode avocar quando você tem uma situação de uma eleição fraudada, de alguém que coloca 90% da população em estado de pobreza? Quando você tem um estado que expulsa 8 milhões de venezuelanos? Quer dizer, é muita demagogia.”
Rede municipal abriga imigrantes e oferece apoio especializado
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, a cidade tem atualmente 1.009 imigrantes venezuelanos acolhidos na rede assistencial. Eles estão distribuídos em centros de acolhida exclusivos para estrangeiros, nas Vilas Reencontro e em outros equipamentos municipais.
A pasta informou que, além do abrigo, a Prefeitura oferece orientação para regularização migratória, acesso a direitos sociais e inclusão social no Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) Oriana Jara, na região central. Em 2025, foram atendidos 1.538 cidadãos venezuelanos nessa unidade, segundo a secretaria.
O Centro de Acolhida Especial para Famílias (CAEF) Ebenezer, que acolhe 157 imigrantes, entre eles cinco famílias venezuelanas, continua em funcionamento normal, conforme a mesma secretaria.
Em dezembro do ano passado, a Prefeitura havia decidido encerrar as atividades do CAEF Ebenezer de forma unilateral, o que motivou contestação da entidade que administra o espaço e da Defensoria Pública, que acompanhava o caso com preocupação. Uma decisão liminar da Justiça de São Paulo suspendeu o fechamento, e o município recuou, mantendo o serviço em operação.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (5), a secretaria afirmou que a entrada de novos usuários está ocorrendo de forma planejada como parte de um processo de aprimoramento da rede socioassistencial, com o objetivo de adequar a oferta de vagas a novos modelos de acolhimento, como as Vilas Reencontro, que priorizam maior autonomia das famílias.
Organizações da sociedade civil se preparam para possível aumento no fluxo
Em São Paulo, organizações da sociedade civil desempenham papel central no acolhimento de refugiados. Uma das principais é a Missão Paz, no bairro da Liberdade, região central, que se reuniu nesta segunda para discutir a possibilidade de novo aumento na chegada de imigrantes venezuelanos.
Na instituição, o padre Paolo Parise relatou que o cenário é de contingência, diante da incerteza sobre o fluxo migratório nos próximos dias e semanas. Segundo ele, a migração pode se manter no patamar atual, com cerca de 700 pessoas entrando diariamente por Roraima, aumentar ou até sofrer um movimento de retorno, o que exige preparação para diferentes cenários, tanto de chegada quanto de saída de migrantes.
No auge da chegada de venezuelanos ao Brasil, a Missão Paz chegou a atender dezenas de famílias por dia, oferecendo alimentação, orientação e encaminhamento para serviços básicos e oportunidades de trabalho. Entidades que atuam na área alertam que a situação pode se agravar caso o número de imigrantes volte a crescer.
Para o vice-diretor da Cáritas, braço social da Igreja Católica, o principal gargalo hoje é a falta de infraestrutura adequada, especialmente de abrigos preparados para receber essa população. Ele avalia que o Brasil não está estruturado para lidar com um novo fluxo intenso de venezuelanos, já que muitos projetos foram encerrados, há carência de vagas específicas para migrantes e refugiados e a Operação Acolhida, criada em 2018, foi desmontada, restando apenas algumas ações em Roraima.