Política

Roraima pede ao Planalto fechamento temporário da fronteira após captura de Maduro

Governo estadual alega risco de entrada em massa de imigrantes supostamente armados, monta paredão militar em Pacaraima e aguarda resposta do Palácio do Planalto em meio à operação dos EUA que levou Maduro a julgamento em Nova York

06/01/2026 às 10:04 por Redação Plox

Com a captura de Nicolás Maduro e o aumento da instabilidade na Venezuela, o governo de Roraima encaminhou ao Palácio do Planalto um pedido para o fechamento da fronteira do Brasil com o país vizinho. Segundo o comandante da Polícia Militar de Roraima, coronel Ovelan Lopes, a medida é vista como a estratégia mais adequada para reforçar a proteção do território brasileiro.

A fronteira entre os dois países tem ponto de monitoramento em Pacaraima (RR)

A fronteira entre os dois países tem ponto de monitoramento em Pacaraima (RR)

Foto: Divulgação/PM de Roraima


À reportagem, o comandante informou que o pedido já foi formalizado ao governo federal, mas, até o momento, não houve retorno oficial.

Estado teme entrada de imigrantes armados

O governo de Roraima justifica a solicitação com base no receio da entrada em massa de imigrantes supostamente armados pelo regime de Maduro e que estariam deixando o país em meio a confrontos com as Forças Armadas dos Estados Unidos.

Para conter possíveis entradas irregulares, o policiamento na fronteira foi reforçado, com o efetivo da Polícia Militar praticamente dobrado. Na região de Pacaraima, onde há um ponto de monitoramento, foi montado um paredão militar com o objetivo de impedir a passagem de imigrantes clandestinos para o Brasil.

Divergência com Forças Nacionais na fronteira

Enquanto o governo de Roraima defende o fechamento temporário, membros das Forças Nacionais que atuam na região sustentam posição oposta. Para eles, a fronteira deve permanecer aberta e, se necessário, a Operação Acolhida — responsável por receber e interiorizar venezuelanos no Brasil — poderia ser ampliada.

Nota oficial do governo de Roraima

Em nota, o governo estadual esclareceu que apresentou, em conversas iniciais, a “possibilidade de fechamento temporário da fronteira como medida preventiva”, mas ressaltou que a decisão sobre o funcionamento de fronteiras é de responsabilidade da União.

O Governo do Estado de Roraima acompanha com atenção os acontecimentos recentes na Venezuela e eventuais repercussões na estabilidade regional, reafirmando o compromisso com a paz, a ordem pública e a segurança da população roraimense. Diante do cenário de instabilidade no país vizinho, o Governo do Estado sugeriu, em tratativas iniciais, a possibilidade de fechamento temporário da fronteira como medida preventiva. No entanto, esclarece que a decisão sobre o funcionamento ou eventual fechamento de fronteiras é uma atribuição discricionária e exclusiva do Governo Federal, a quem compete a condução das medidas no âmbito das relações internacionais, diplomacia, controle migratório e segurança nacional. Ressalta que em razão da localização geográfica, Roraima mantém historicamente relações de cooperação com os países vizinhos, incluindo Venezuela e Guiana, pautadas pelo diálogo, integração social, desenvolvimento econômico e respeito às fronteiras. As autoridades estaduais permanecem em permanente contato com os órgãos competentes da União para monitorar possíveis desdobramentos que possam impactar a rotina da população. O Governo de Roraima reforça a importância de que questões internacionais sejam conduzidas por meio de mecanismos diplomáticos e do diálogo, evitando qualquer escalada de conflito que comprometa a estabilidade e o bem-estar dos povos da região. O Estado se mantém à disposição para colaborar com as instâncias federais e com organismos internacionais, sempre que necessário. Os órgãos de segurança pública estaduais seguem preparados e articulados, mantendo rotinas normais de atuação, com foco na garantia da paz, da proteção e da continuidade dos serviços essenciais à população roraimense.

O governo federal foi procurado para comentar o pedido de fechamento da fronteira, mas ainda não respondeu.

Cronologia da captura e prisão de Nicolás Maduro

Na madrugada em que Maduro foi detido, moradores de Caracas relataram uma sequência de explosões e sobrevoos de aeronaves militares. Entre 2h50 e 3h20, pelo menos sete explosões foram ouvidas na capital em cerca de 30 minutos, em uma ofensiva que, segundo informações obtidas pelo jornal The New York Times, deixou ao menos 40 mortos.

Por volta das 3h, tropas de elite da Força Delta dos Estados Unidos invadiram o complexo onde estavam Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A ação contou com apoio de informações de inteligência da CIA, que monitorava o padrão de vida do líder venezuelano desde agosto.

Às 3h20, em menos de meia hora desde o início da incursão, Maduro e Cilia foram retirados de helicóptero e levados ao navio militar USS Iwo Jima, posicionado no Mar do Caribe.

Anúncio de Trump e reação venezuelana

Às 6h21, Donald Trump anunciou, pela rede Truth Social, que Maduro havia sido capturado e retirado da Venezuela em um ataque de grande escala conduzido pelos Estados Unidos.

Pouco depois, às 6h40, a TV estatal venezuelana classificou a operação como um sequestro e uma violação da soberania do país e da Carta das Nações Unidas, acusando Washington de tentar tomar controle de recursos minerais e do petróleo venezuelano.

Às 13h23, Trump divulgou a primeira imagem de Maduro sob custódia, em que o ex-presidente aparece algemado, com os olhos vendados e usando fones de ouvido. Minutos depois, às 13h40, em coletiva em Mar-a-Lago, o ex-presidente dos EUA afirmou que o país passaria a governar a Venezuela para garantir uma “transição sensata” e descartou apoio à opositora María Corina Machado, alegando que ela não teria força para governar sozinha.

Transição de poder em Caracas

Por volta das 15h, em Caracas, a vice-presidente Delcy Rodríguez rejeitou publicamente a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. Apesar disso, a Suprema Corte da Venezuela determinou que ela assumisse a presidência interina para assegurar a continuidade administrativa do país.

Às 18h40, a aeronave militar que transportava Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Escoltado por agentes federais da DEA, ele foi visto algemado, usando roupas cinzas, e passou por procedimentos de fichamento, com coleta de digitais e fotos judiciais.

Custódia nos EUA e andamento do julgamento

Na noite do mesmo dia, por volta das 23h, Nicolás Maduro foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, unidade que abriga outros presos de alto perfil.

Na segunda-feira (5), às 14h (horário local), Maduro passou por audiência de custódia. O caso é conduzido pelo juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos. Maduro e Cilia Flores se declararam inocentes.

Uma nova audiência foi marcada para 17 de março, às 11h no horário local — 13h em Brasília.

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