INSS aponta irregularidades em consignados do Banco Master e dá prazo para envio de documentos

Em depoimento à CPMI, Gilberto Waller disse que pente-fino identificou inconsistências em contratos com aposentados e pensionistas; instituto avalia próximos passos após análise

06/02/2026 às 08:27 por Redação Plox

O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller, afirmou que um pente-fino realizado em setembro identificou irregularidades em contratos de empréstimos consignados firmados entre o Banco Master e aposentados e pensionistas. Segundo ele, a análise levou à adoção de uma série de alertas e sanções por parte do instituto para tentar corrigir os problemas detectados.

O presidente do INSS, Gilberto Waller, esclareceu que pente-fino nos contratos com o Banco Master revelou irregularidades

O presidente do INSS, Gilberto Waller, esclareceu que pente-fino nos contratos com o Banco Master revelou irregularidades

Foto: Senado Federal do Brasil


INSS detectou problemas antes da liquidação do banco

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Waller destacou que as inconsistências foram descobertas antes da liquidação do Banco Master, a partir de uma varredura nos contratos que previam descontos diretamente na folha de benefícios.

De acordo com o presidente do INSS, o pente-fino foi determinado após orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em meio à avaliação sobre a renovação do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que permitia ao banco operar consignados para segurados do instituto.

O aumento no volume de reclamações de beneficiários foi um dos principais sinais de alerta para a autarquia, levando à conclusão de que o banco não poderia continuar prestando serviços nas condições em que se encontrava.

Banco foi comunicado da não renovação do acordo

Waller relatou que o INSS decidiu formalmente pela não renovação do ACT com o Banco Master e comunicou a instituição dessa decisão. Segundo ele, a reação inicial do banco chamou a atenção pelo silêncio diante da medida e pela ausência de tentativa imediata de negociação junto ao órgão.

Posteriormente, representantes do banco procuraram o INSS em duas ocasiões, no fim de outubro e em novembro, para discutir a situação e buscar uma saída por meio de um possível termo de compromisso voltado à correção das irregularidades apontadas.

Assinaturas eletrônicas sob suspeita

Durante reunião com dirigentes e advogados do Banco Master, o INSS solicitou acesso direto aos contratos para verificar a forma de contratação dos empréstimos. A análise revelou uma série de erros formais e operacionais, com foco especial nas assinaturas eletrônicas.

O principal ponto de preocupação foi a ausência de mecanismos adequados de certificação dessas assinaturas, o que fragilizava a comprovação de que o próprio beneficiário havia autorizado a operação.

Ao fim da reunião, Waller relatou que a equipe técnica do INSS considerou inviável firmar qualquer termo de compromisso sem que o banco esclarecesse as dúvidas sobre a regularidade dos contratos e a autenticidade das assinaturas dos segurados.

Master terá prazo para comprovar regularidade dos contratos

O presidente do INSS informou ainda que, após nova rodada de conversas no fim do mês, ficou estabelecido que o Banco Master terá um prazo até o dia 12 para apresentar documentos e comprovar a regularidade das contratações de consignados feitas com aposentados e pensionistas.

Somente após a análise desse material o INSS deve definir os próximos passos em relação aos contratos sob suspeita e às medidas de proteção aos beneficiários envolvidos.

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