Depoimentos reforçam suspeita de envenenamento na UTI do Hospital Anchieta, no DF

Polícia Civil apura conduta de técnicos de enfermagem após relatos de atitudes atípicas, imagens internas e suspeita de aplicação de substâncias não prescritas em pacientes

06/02/2026 às 16:47 por Redação Plox

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) avançou nas investigações sobre mortes suspeitas registradas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Novos depoimentos, revelados com exclusividade pela coluna Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, apontam um possível padrão de atuação nas ocorrências sob apuração.

Ao menos seis novas testemunhas, entre profissionais de saúde e funcionários do hospital, relataram à polícia comportamentos considerados atípicos de técnicos de enfermagem investigados. Entre os relatos estão a presença frequente de um dos suspeitos ao lado de pacientes pouco antes de paradas cardiorrespiratórias, além de conversas reservadas e movimentações incomuns durante plantões noturnos.

Investigação apura suspeita de aplicação de substâncias irregulares em pacientes internados em UTI do Hospital Anchieta, no DF.

Investigação apura suspeita de aplicação de substâncias irregulares em pacientes internados em UTI do Hospital Anchieta, no DF.

Foto: Reprodução.


Relatos apontam suspeita de aplicação de substâncias irregulares

De acordo com a investigação, o técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa é apontado como possível responsável direto pela aplicação das substâncias em pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta. Já Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva teriam, segundo a apuração, acompanhado parte das ações ou permanecido próximas às ocorrências sem intervir.

Imagens de câmeras internas mostram profissionais manipulando seringas e frascos instantes antes das mortes. Esse material, aliado aos depoimentos colhidos, reforça a suspeita de que substâncias não prescritas tenham sido aplicadas de forma deliberada em alguns pacientes.

Em um dos episódios investigados, a polícia trabalha com a hipótese de que um produto incompatível com uso intravenoso, possivelmente um desinfetante, tenha sido injetado em um paciente, provocando colapso imediato.

Até o momento, três mortes foram oficialmente atribuídas ao grupo. As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos; Marcos Moreira, de 33; e Miranilde Pereira da Silva, de 75. Os óbitos ocorreram entre novembro e dezembro de 2025.

Operação Anúbis e desdobramentos da investigação

Nos interrogatórios, os investigados negaram qualquer irregularidade e afirmaram ter seguido as prescrições médicas. Segundo a polícia, entretanto, as versões apresentadas teriam apresentado contradições após a análise de vídeos, laudos e depoimentos.

A apuração inclui ainda a perícia em celulares, computadores e outros dispositivos apreendidos, para identificar possíveis mensagens, pesquisas ou trocas de informações entre os suspeitos que possam indicar uma atuação coordenada.

A Operação Anúbis, que resultou nas prisões, continua em andamento. A PCDF avalia ampliar o escopo das investigações para a atuação dos mesmos técnicos em outras unidades de saúde do Distrito Federal, a fim de verificar se há registros com características semelhantes.

As defesas dos suspeitos sustentam que os profissionais são inocentes e destacam que o caso ainda está em fase de apuração. O Hospital Anchieta informou ter comunicado as suspeitas às autoridades e afirmou colaborar integralmente com o trabalho da polícia.

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