Justiça determina que Vale adote medidas emergenciais após carreamento de sedimentos em Congonhas

Empresa terá cinco dias para apresentar planos de monitoramento da água e de reparação ambiental após impacto em cursos d’água ligados ao Rio Paraopeba

06/02/2026 às 16:57 por Redação Plox

A 1ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte determinou que a mineradora Vale adote, em até cinco dias, uma série de medidas emergenciais e corretivas para conter, controlar e mitigar os efeitos do carreamento de água e sedimentos da Mina de Viga, em Congonhas, na região Central de Minas Gerais. O extravasamento ocorreu em janeiro deste ano e atingiu cursos d’água que deságuam no Rio Paraopeba.

Estragos em Congonhas após extravasamento na Mina de Viga, da Vale

Estragos em Congonhas após extravasamento na Mina de Viga, da Vale

Foto: Prefeitura de Congonhas/divulgaçã


Justiça exige planos emergenciais e de recuperação ambiental

Entre as determinações, a empresa deverá elaborar e submeter à aprovação do órgão ambiental competente um plano emergencial de monitoramento da qualidade da água e um plano de ações de reparação e recuperação ambiental nas áreas atingidas pelo carreamento de sedimentos e água da mina.

O plano emergencial de monitoramento deve estabelecer pontos de amostragem, parâmetros físicos, químicos e biológicos, periodicidade mínima diária no período crítico, métodos analíticos, critérios de interpretação, cadeia de custódia, indicação de laboratórios acreditados pelo Inmetro e protocolos de garantia de qualidade, além de prever o reporte diário dos dados aos órgãos ambientais.

Já o plano de reparação e recuperação ambiental deverá contemplar a remoção criteriosa do material depositado no leito dos corpos hídricos (desassoreamento), a recuperação de matas ciliares e de áreas de preservação permanente afetadas, com cronograma físico-financeiro de execução.

Decisão impõe medidas de segurança e fiscalização

A decisão judicial, atendendo a pedidos da Advocacia-Geral do Estado, fixa que a Vale comprove, em cinco dias, a adoção de todas as medidas emergenciais e corretivas necessárias para cessar imediatamente o aporte de carga sólida e contaminantes no Córrego Maria José e no Rio Maranhão.

A mineradora terá de implementar providências para garantir a segurança de trabalhadores, de estruturas adjacentes e das áreas potencialmente afetadas, incluindo sinalização, isolamento de áreas de risco e verificação estrutural de pilares da ferrovia e demais infraestruturas impactadas pelo fluxo.

Também deverá apresentar, no mesmo prazo, um relatório detalhado das ações de monitoramento estrutural e ambiental realizadas desde o extravasamento, demonstrando a estabilidade das estruturas remanescentes, em especial da cava desativada e dos acessos atingidos.

A Justiça ainda determinou que a Vale informe, de forma documentada, o acionamento do Plano de Ação de Emergência (PAE), com detalhamento dos níveis de alerta emitidos e das comunicações às autoridades competentes, e apresente as ações estruturais, operacionais e de gestão de riscos a serem implementadas de imediato para prevenir novas ocorrências durante o período chuvoso.

Inventário de estruturas e critérios de segurança

A mineradora deverá entregar uma relação detalhada e georreferenciada de todas as estruturas semelhantes às que deram origem ao evento registrado em 25 de janeiro de 2026, dentro do mesmo complexo minerário. A lista deve indicar a localização exata e as medidas de monitoramento, prevenção e precaução já adotadas e em planejamento.

Entre essas estruturas, deverão constar cavas utilizadas para manejo de rejeitos e/ou água superficial, estruturas de sump, acessos viários que possam atuar como diques, além de diques ou outras obras que funcionem como contenção para água superficial e rejeitos.

Para cada caso, a Vale terá de comprovar tecnicamente os critérios de chuva considerados, dados hidrológicos, capacidade de bombeamento e fatores de segurança de projeto, demonstrando que são adequados aos cenários climáticos atuais. A empresa também deve apresentar licenciamentos ambientais, manuais de operação, relatórios de inspeção e de manutenção atualizados de todas as estruturas identificadas.

MPF pede bloqueio de R$ 200 milhões

Paralelamente, o Ministério Público Federal ingressou, na terça-feira (3), com pedido de bloqueio de R$ 200 milhões das contas da Vale em razão do extravasamento na Mina de Viga. De acordo com o órgão, o acidente provocou assoreamento de córregos, danos à vegetação e atingiu cursos d’água que alimentam o Rio Paraopeba.

O MPF concluiu que a ocorrência expôs uma “falha no controle da operação de estruturas de contenção de efluentes” na mina e apontou que a empresa não comunicou imediatamente o extravasamento às autoridades competentes, o que teria dificultado a resposta da Defesa Civil. Além do bloqueio de valores, o órgão solicitou a suspensão da venda ou transferência dos direitos minerários da Vale na área afetada e requereu a adoção de uma série de medidas adicionais de segurança.

Horas depois da primeira ocorrência, um segundo extravasamento de água com sedimentos foi registrado na Mina de Viga, localizada entre a Plataforma e o Esmeril, em Congonhas.

Treinamento de trabalhadores e posicionamento da empresa

A Justiça também determinou que a mineradora comprove a revisão, ampliação e intensificação dos programas de capacitação e treinamento de seus trabalhadores, em especial aqueles que atuam em áreas operacionais e em estruturas consideradas críticas, conforme recomendação da Defesa Civil Estadual.

A reportagem procurou a Vale para comentar a decisão judicial e aguarda resposta. O espaço segue aberto para manifestação da empresa.

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