Tenente Coronel Mauro Cid deporá novamente sobre caso de tentativa de golpe

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro esclarecerá dúvidas da PF na operação Tempus Veritatis nesta segunda-feira.

Por Plox

06/03/2024 08h40 - Atualizado há 4 meses

Na próxima segunda-feira (11), o tenente coronel Mauro Cid, anteriormente ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, prestará um novo depoimento à Polícia Federal (PF) como parte das investigações da operação Tempus Veritatis, que busca esclarecer tentativas de golpe de Estado e ameaças ao Estado Democrático de Direito. O depoimento visa a esclarecer pontos ainda não detalhados após as recentes operações, tendo em vista que Cid já firmou um acordo de delação premiada com a justiça em setembro do ano passado.

Foto: Pedro França/Agência 

As revelações do ex-assessor, complementadas por informações extraídas de dispositivos eletrônicos apreendidos, contribuíram significativamente para as investigações, indicando a formação de uma organização criminosa focada em manter Bolsonaro no poder. Essa operação, nomeada de Tempus Veritatis, envolveu também indivíduos próximos ao ex-presidente, dos quais muitos já foram interrogados pela PF.

Recentemente, o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, após um depoimento de oito horas, confirmou a existência de uma minuta para a realização de um golpe, além de apontar Bolsonaro como responsável por manter acampamentos militares pós-eleição. Gomes também reforçou as informações dadas por Mauro Cid em sua delação.

A investigação destaca uma "minuta golpista" que incluía ordens de prisão para figuras chave do Estado, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente do Congresso Nacional. Revelou-se ainda a existência de um grupo de inteligência paralelo, ligado ao entorno de Bolsonaro, que monitorava movimentos de autoridades como o ministro Alexandre de Moraes.

Além disso, um vídeo descoberto no computador de Cid expõe uma reunião ministerial com Bolsonaro e seus ministros discutindo a necessidade de ação pré-eleitoral para evitar a prisão do então presidente por atos antidemocráticos. Durante a reunião, o então ministro do GSI, Augusto Heleno, sugeriu ações contra instituições e pessoas específicas, inclusive a possibilidade de infiltração nas campanhas eleitorais.

As investigações indicam esforços do grupo para promover a ideia de fraude eleitoral antes das eleições de 2022, numa tentativa de justificar uma intervenção militar. Este esquema envolvia a disseminação de informações falsas sobre a segurança das urnas eletrônicas, além de preparações para um golpe de Estado com o suporte de militares especializados.

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