Daniel Vorcaro deixa presídio em Potim e é transferido para Brasília

Dono do Banco Master deve cumprir prisão em penitenciária federal de segurança máxima após decisão do ministro André Mendonça, do STF

06/03/2026 às 12:11 por Redação Plox

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixou na manhã desta sexta-feira (6) a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, e iniciou o deslocamento para Brasília, onde deve cumprir prisão em uma penitenciária federal de segurança máxima.

Comboio da Polícia Federal.

Comboio da Polícia Federal.

Foto: Reprodução / TV Globo.



Equipes da Rede Vanguarda, afiliada da Globo no Vale do Paraíba, registraram o momento em que Vorcaro saiu do presídio, por volta das 11h30.

De acordo com apuração da repórter Laurene Santos no local, uma viatura não caracterizada interrompeu o trânsito na rua em frente à unidade prisional e fechou a frente do prédio. Na sequência, quatro veículos deixaram o presídio: dois da Polícia Penal e dois da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo. Vorcaro estava em uma das viaturas da SAP.

Traslado até Brasília e situação de familiares

A expectativa é que o banqueiro seja levado até o aeroporto de São José dos Campos, a cerca de 70 quilômetros de Potim. De lá, embarcará em um voo da Polícia Federal com destino a Brasília, onde ficará custodiado em uma penitenciária federal de segurança máxima.


O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, não foi incluído na transferência e permanece preso na Penitenciária 2 de Potim.

Decisão do STF e justificativas da Polícia Federal

Vorcaro foi preso na quarta-feira (4), em São Paulo, em uma nova fase da operação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras. Na quinta-feira (5), ele foi transferido para o presídio de Potim, conhecido como novo “presídio dos famosos”.


Ainda na quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça acolheu pedido da Polícia Federal e determinou a transferência de Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília.


Na decisão, o ministro, relator do caso envolvendo o Banco Master no STF, registrou que a Polícia Federal vê a permanência do banqueiro em uma unidade estadual de São Paulo como um “risco à segurança pública”, pois ele teria “significativa capacidade de articulação e influência sobre diversos atores situados em diferentes esferas do poder público e do setor privado”.


A PF argumentou ainda que a penitenciária federal em Brasília oferece condições institucionais para um monitoramento mais próximo da custódia, levando em conta a localização da unidade em relação aos órgãos responsáveis pela investigação e pela supervisão judicial das medidas cautelares adotadas no âmbito do STF.

Banqueiro Daniel Vorcaro.

Banqueiro Daniel Vorcaro.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Operação Compliance Zero e novas prisões

A nova prisão de Daniel Vorcaro ocorreu no contexto da terceira fase da Operação Compliance Zero, que, segundo a Polícia Federal, investiga a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma organização criminosa.


A defesa de Vorcaro afirmou que ele “sempre esteve à disposição das autoridades” e “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”. Negou “categoricamente as alegações atribuídas” ao banqueiro, afirmou confiar que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta e reiterou a “confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”.


O cunhado dele, Fabiano Zettel, também foi alvo de mandado de prisão e se apresentou na Superintendência da PF. A defesa declarou que, “em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”.

Esquema financeiro e valores bloqueados

Segundo a Polícia Federal, o esquema financeiro sob investigação envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação faz referência à ausência de controles internos eficazes nas instituições envolvidas para prevenir crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.


Além de Vorcaro e Zettel, foram alvos da operação o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.


Também foram determinadas medidas de afastamento de cargos públicos e o sequestro e bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.


Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado, quando tentava embarcar para a Europa em um avião particular que sairia do aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. Na ocasião, havia contra ele um mandado de prisão preventiva, e ele foi levado para a Superintendência da PF na capital paulista.

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