Antes de ser preso, Vorcaro mandou mensagem a Alexandre Moraes: “conseguiu bloquear?”
Segundo Malu Gaspar, do O Globo, peritos identificaram o texto “Conseguiu bloquear?” durante perícia digital feita após a apreensão do aparelho
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos das quebras de sigilo aprovadas pela CPMI do INSS, incluindo o pedido que tinha como alvo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A medida acentuou o atrito entre o Congresso e o Judiciário e provocou reação pública do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que classificou a iniciativa como afronta ao Legislativo.
Lulinha, filho do presidente Lula e o ministro Flávio Dino, indicado ao STF por Lula
Foto: Reprodução
No centro da disputa está a suspensão da quebra de sigilo de Lulinha, aprovada em pacote pela CPMI e agora travada por decisão liminar do STF, que questiona a forma como a comissão conduziu a votação e fundamentou as medidas.
Em 26 de fevereiro de 2026, a CPMI do INSS aprovou, em bloco, um conjunto de requerimentos que incluía a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, além da solicitação de Relatório de Inteligência Financeira (RIF). A justificativa apresentada na comissão associava esses pedidos ao contexto das investigações sobre fraudes em descontos associativos em benefícios de aposentados e pensionistas, apuradas na Operação Sem Desconto.
Nos dias 4 e 5 de março, Flávio Dino concedeu decisões liminares que suspenderam os efeitos dessas deliberações. O foco recaiu sobre a votação “em globo” — realizada em bloco, sem análise individualizada — e sobre a exigência de fundamentação específica para medidas consideradas invasivas, como a quebra de sigilo bancário e fiscal.
Na prática, a decisão impede, por ora, o uso dos dados de Lulinha e dos demais alvos pela CPMI, bloqueando o acesso imediato às informações sigilosas até que a comissão refaça o procedimento ou aprove novas deliberações que atendam aos critérios apontados pelo STF.
Paralelamente ao movimento no Judiciário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já havia analisado um recurso apresentado por parlamentares governistas contra a votação da CPMI. Ele decidiu manter o resultado da sessão, sob o argumento de que, conforme o quórum registrado, não houve votos contrários suficientes para derrubar os requerimentos aprovados em bloco.
A decisão de Dino, porém, passou a valer sobre esses mesmos atos, abrindo mais um capítulo na disputa sobre até onde podem ir as comissões parlamentares mistas de inquérito ao determinar medidas como a quebra de sigilo, especialmente quando adotam o modelo de votação em pacote.
Em entrevista coletiva, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, afirmou que a liminar de Flávio Dino suspendeu os efeitos da quebra de sigilo aprovada pela comissão e sustentou que o colegiado seguiu o rito previsto. Segundo ele, a fundamentação das medidas constaria dos próprios requerimentos, e a decisão do STF teria sido conhecida por ele por meio da imprensa.
De acordo com registro da Agência Brasil, a quebra de sigilo de Lulinha foi aprovada em 26 de fevereiro de 2026. A defesa do empresário negou qualquer relação com as fraudes investigadas e informou que busca acesso aos autos para se manifestar com base em fatos e provas.
Para a CPMI, a suspensão imposta pelo STF trava, ainda que de forma temporária, o acesso e o uso de dados bancários e fiscais que haviam sido liberados pelo pacote de requerimentos. Isso pode atrasar diligências, cruzamentos de informações e outras etapas planejadas pela comissão.
No plano institucional, o episódio amplia o debate sobre os limites de atuação de CPIs e CPMIs ao determinar medidas de caráter invasivo. A forma de aprovação — em bloco, sem apreciação pormenorizada de cada alvo — passa a ser um dos pontos centrais de controvérsia.
No cenário político, a quebra de sigilo de Lulinha suspensa por Dino tende a permanecer como um dos principais focos de embate entre base governista e oposição, com possibilidade de novas judicializações envolvendo atos da CPMI.
A expectativa é de que a CPMI busque alternativas para preservar suas investigações. Entre as possibilidades estão refazer as votações de forma individualizada, com justificativas específicas para cada alvo e para cada medida, recorrer ao STF contra a decisão liminar ou ajustar seus procedimentos internos para reduzir o risco de nulidades futuras.
No Supremo, o caso deve seguir para análise de mérito, com eventuais desdobramentos processuais a partir dos pedidos apresentados pelas defesas atingidas e pela própria comissão. Enquanto isso, permanece em aberto o impasse em torno da quebra de sigilo de Lulinha, que se tornou o eixo mais sensível da disputa entre Congresso e Judiciário no âmbito da CPMI do INSS.