Antes de ser preso, Vorcaro mandou mensagem a Alexandre Moraes: “conseguiu bloquear?”
Segundo Malu Gaspar, do O Globo, peritos identificaram o texto “Conseguiu bloquear?” durante perícia digital feita após a apreensão do aparelho
Mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, voltaram ao centro do noticiário após novas reportagens indicarem que ele teria procurado o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no mesmo dia em que foi preso pela Polícia Federal, em 17 de novembro de 2025. O conteúdo, a própria existência e o eventual recebimento dessas mensagens, porém, seguem em disputa pública: veículos de imprensa citam a extração do material do celular do empresário, enquanto nota atribuída ao ministro nega ter recebido o que foi descrito nas reportagens.
Vorcaro e Alexandre de Moraes Fotos: Reprodução/YouTube Esfera Brasil // Luiz Silveira/STF
De acordo com textos jornalísticos publicados nesta semana, a Polícia Federal teria identificado, a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, mensagens enviadas via WhatsApp a Alexandre de Moraes no dia 17 de novembro de 2025, data da prisão do empresário na primeira fase da Operação Compliance Zero.
Nessa cobertura, parte do teor atribuído às mensagens é descrito como tentativa de obter atualização sobre suposto “bloqueio” de algo e, sobretudo, sobre tratativas ligadas a “salvar” o Banco Master, em alusão a negociações sobre o futuro da instituição financeira.
O episódio se insere em investigações mais amplas sobre suspeitas de crimes financeiros e outros delitos atribuídos a uma organização criminosa, que vêm motivando decisões judiciais e diligências em diferentes estados.
Segundo a repercussão da imprensa, após a primeira leva de reportagens sobre o caso, uma manifestação atribuída a Alexandre de Moraes afirmou que o ministro não recebeu as mensagens descritas e classificou a informação como uma “ilação mentirosa” dirigida contra o STF.
Quando anunciou a fase de novembro de 2025 da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal informou oficialmente que a ação tinha como alvo crimes contra o sistema financeiro nacional, com cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão.
Em decisão judicial noticiada por agência internacional, a investigação é apresentada como parte de um caso amplo envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa, entre outros pontos.
No centro da controvérsia está justamente o que Vorcaro teria escrito a Moraes no dia da prisão e em que termos o suposto pedido para “salvar” o Banco Master foi formulado, bem como se essas mensagens chegaram de fato ao ministro.
O que aparece de forma mais consistente entre os veículos, até agora, é a referência a mensagens atribuídas a Vorcaro, extraídas de seu celular, e a negação de recebimento por parte de Moraes, conforme nota repercutida pela imprensa.
A íntegra periciada desse material, o contexto completo das conversas e a validação técnica — incluindo metadados, cadeia de custódia e eventual confirmação de envio, entrega ou leitura no aplicativo — ainda não foram totalmente tornados públicos. Com isso, uma parcela relevante do conteúdo segue como informação em apuração, sem acesso amplo a laudos ou registros oficiais detalhados.
Do ponto de vista institucional, a mera menção a contato com um ministro do STF no dia de uma prisão relacionada a um caso sensível tende a aumentar a pressão por esclarecimentos formais, inclusive sobre autenticidade, envio, entrega e contexto das mensagens que teriam sido enviadas a Moraes.
Para clientes e para o mercado, o episódio reforça a instabilidade reputacional que ronda o Banco Master e seus controladores, com potencial de influenciar negociações, disputas e medidas regulatórias já em andamento desde o início da Operação Compliance Zero.
Em termos regionais, a prisão de Vorcaro ocorreu no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e há referência a diligências e mandados em São Paulo e em Minas Gerais em fases da investigação, mantendo o caso no radar desses dois estados.
A tendência é que o debate avance em dois eixos principais. O primeiro é o da prova técnica: confirmação pericial e judicial sobre a autenticidade das mensagens, quem foi o destinatário, se houve entrega, em que contexto foram enviadas e se houve resposta por algum canal.
O segundo eixo envolve as medidas processuais, como novos pedidos de diligências, oitivas, decisões sobre sigilo, juntada de laudos e eventuais responsabilizações decorrentes da análise do material extraído.
Para o público, o ponto central a acompanhar é se haverá divulgação oficial, ou nos autos, de trechos periciados com validação técnica e se STF ou defesas irão além das notas já divulgadas, apresentando esclarecimentos adicionais sobre as mensagens do dia 17 de novembro de 2025 e sobre o suposto pedido para “salvar” o Banco Master.