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A Comissão de Ética Médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP indeferiu o pedido de uso experimental da substância polilaminina para o tratamento de um sargento da reserva da Polícia Militar.
Estudo da polilaminina aponta que proteína pode ajudar a devolver movimentos para quem tem lesões na medula
Foto: Reprodução/TV Globo
O 3º sargento Valdecir Figueiredo Pascoal foi internado em 22 de dezembro de 2025 após ser atingido por um tiro na região torácica, que fraturou a vértebra T12. A consequência foi uma lesão medular completa, com ausência de funções abaixo do nível atingido.
De acordo com o parecer, o uso da polilaminina não tem comprovação clínica robusta de eficácia e segurança em seres humanos que justifique sua aplicação fora de protocolos formais de pesquisa. O pedido havia sido apresentado em dezembro do ano passado e foi negado em 2 de fevereiro de 2026.
A polilaminina é um composto produzido em laboratório a partir da laminina, proteína presente no corpo humano sobretudo durante o desenvolvimento embrionário, quando exerce papel fundamental na organização dos tecidos e no crescimento celular.
Por meio de uma manifestação extrajudicial, a defesa do sargento solicitou autorização urgente para o uso “compassivo” da polilaminina. O documento alegava que o paciente estaria em uma “janela terapêutica crítica” e que não haveria alternativas eficazes para reverter o quadro.
Os médicos relatores do parecer elencaram uma série de argumentos técnicos e éticos para vetar a aplicação imediata do produto.
Evidência científica considerada frágil: a base disponível para a polilaminina é predominantemente pré-clínica, sustentada sobretudo em estudos com roedores. Os dados em humanos ainda se restringem a relatos iniciais abertos, sem grupo de controle e sem revisão por pares.
Riscos e incertezas: o sargento está no período de choque medular, fase em que mudanças neurológicas espontâneas podem ocorrer em até 20% dos casos. Sem um estudo controlado, os médicos avaliaram que seria impossível atribuir eventual melhora ao uso da substância.
Procedimento invasivo: a aplicação intra-espinhal foi classificada como um ato invasivo, com potenciais riscos de sangramento, infecção e piora neurológica.
Divergência regulatória: embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha autorizado, em 5 de janeiro de 2026, um estudo clínico de fase 1 com polilaminina, os critérios definidos (lesão entre T2 e T10, com menos de 72 horas) não se aplicam ao caso do sargento, cuja lesão é na T12.
A Comissão de Ética do HC determinou que qualquer utilização da polilaminina deve ocorrer exclusivamente dentro de protocolos de pesquisa clínica aprovados. Para o sargento, a orientação foi manter o tratamento com base nas melhores práticas de reabilitação atualmente aceitas pela medicina.
O g1 buscou a defesa do sargento para esclarecer se há intenção de judicializar o caso, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
A polilaminina ganhou grande destaque nas redes sociais nos últimos dias, com relatos de paciente em recuperação, discussões sobre perda de patente e publicações exaltando a ciência nacional. Plataformas como Instagram e TikTok foram tomadas por debates sobre o tema, levantando dúvidas sobre o que a substância realmente é capaz de fazer.
Em suas pesquisas, a cientista Tatiana Sampaio utilizou a polilaminina no tratamento de lesões medulares agudas, isto é, que ocorreram há pouco tempo e deixaram pacientes sem movimentos. Ela obteve resultados considerados positivos em experimentos com animais e, posteriormente, em um pequeno grupo de pessoas, o que levou à parceria com um laboratório nacional e à aprovação da Anvisa para estudo clínico.
O objetivo central da pesquisa é responder a uma pergunta específica: a polilaminina funciona, de fato, como tratamento para pessoas com lesão medular aguda?
Em entrevista ao g1, a pesquisadora ressaltou que o que se apresenta hoje é uma substância com potencial de se tornar um medicamento, mas que ainda há um longo caminho pela frente.
Ainda não é um feito, é uma promessa de tratamento. No dia em que ele estiver registrado, as pessoas usarem e todas elas recuperarem a função, se todo mundo voltar a andar, aí sim fizemos uma revolução
Tatiana Sampaio