Produção industrial do Brasil cresce 1,8% em janeiro e tem melhor resultado desde junho de 2024

Dados do IBGE mostram alta de 0,2% na comparação anual e fim de sequência de três meses de queda; 19 de 25 atividades registraram avanço

06/03/2026 às 10:35 por Redação Plox

A produção industrial brasileira avançou 1,8% em janeiro de 2026, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (6/3). Foi o melhor desempenho mensal desde junho de 2024, quando o setor havia registrado alta de 4,4%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a indústria cresceu 0,2% e interrompeu uma sequência de três meses consecutivos de queda na produção.

Reação após forte queda em dezembro

De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o resultado de janeiro está diretamente ligado ao comportamento do setor no fim de 2025. Em dezembro, a produção havia recuado 1,9%, na maior retração desde março de 2021, quando foi registrada queda de 2,1%.

Segundo ele, além do menor dinamismo que vinha marcando a indústria, dezembro também foi influenciado por uma maior incidência de férias coletivas. Com a retomada das atividades no início do ano, parte dessas perdas foi recomposta.

Maioria das atividades fecha no azul

Em janeiro, 19 das 25 atividades industriais pesquisadas registraram taxas positivas, movimento que não era observado desde 2024.

Segundo o IBGE, as principais influências favoráveis vieram de três segmentos:

  • produtos químicos, com alta de 6,2%;
  • veículos automotores, reboques e carrocerias, com elevação de 6,3%;
  • coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que avançaram 2,0%.

No grupo de produtos químicos, o desempenho foi impulsionado por adubos e fertilizantes, herbicidas e fungicidas, todos diretamente ligados ao setor agrícola. Na indústria automobilística, os destaques foram caminhões e autopeças.

Máquinas e equipamentos puxam quedas

Entre as seis atividades com influência negativa no mês, o recuo mais relevante veio de máquinas e equipamentos, com queda de 6,7%. Foi a segunda taxa negativa consecutiva do segmento, que acumula perda de 11,8% no período.

Nessa atividade, as principais reduções ocorreram em bens de capital para fins industriais, relacionados a investimentos em ampliação e modernização de plantas, e em bens de capital para fins agrícolas. O desempenho do setor está associado, conforme a pesquisa, ao movimento de aumento das taxas de juros.

Indústria inicia 2026 com pouco fôlego

Para o economista do ASA, Leonardo Costa, os números de janeiro indicam melhora no ritmo da atividade industrial no começo de 2026, após a queda mais forte observada em dezembro do ano passado.

Ele pondera, porém, que a média móvel trimestral ainda aponta leve piora na margem, com maior resiliência na indústria extrativa. Segundo o economista, a expectativa para 2026 é de uma indústria com pouco fôlego de crescimento.

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