Antes de ser preso, Vorcaro mandou mensagem a Alexandre Moraes: “conseguiu bloquear?”
Segundo Malu Gaspar, do O Globo, peritos identificaram o texto “Conseguiu bloquear?” durante perícia digital feita após a apreensão do aparelho
Três policiais militares foram presos nesta quinta-feira (5) suspeitos de roubar passageiros de um ônibus na Região Metropolitana do Rio. Segundo a investigação, o crime ocorreu em maio do ano passado, quando os agentes estavam fardados e em pleno expediente.
Da esquerda para a direita: Rogério Vieira Guimarães, Joás Ramos do Nascimento e Denis Willians Neres Alpoim
Foto: Reprodução/TV Globo
De acordo com o Ministério Público, o grupo parou um ônibus de comerciantes que havia saído de São Paulo com destino a Vitória, no Espírito Santo, e roubou dois passageiros.
Testemunhas relataram que o veículo, que transportava cerca de 30 pessoas, foi abordado por uma viatura da Polícia Militar acompanhada de dois carros de passeio.
A ação aconteceu no Arco Metropolitano, no sentido Saracuruna, nas proximidades de Duque de Caxias, por volta de 2h da madrugada.
Segundo a investigação, a viatura da PM chegou sem sirene e sem o uso das luzes de emergência, o que chamou a atenção dos passageiros. Inicialmente, os três policiais revistaram o bagageiro do ônibus, abriram malas e não teriam encontrado nada de irregular.
Em seguida, entraram no veículo para revistar os passageiros. Ainda de acordo com a apuração, foi nesse momento que teriam se apropriado de 11 aparelhos celulares pertencentes a dois comerciantes.
Os policiais alegaram que os telefones seriam retidos porque não havia nota fiscal. Testemunhas disseram que os donos dos aparelhos pediram para serem levados à delegacia, a fim de comprovar a origem dos produtos, mas que os PMs se recusaram e levaram todos os celulares.
Durante as investigações, os comerciantes apresentaram as notas fiscais dos aparelhos. Informaram que compraram os celulares no bairro do Brás, em São Paulo, para revendê-los em Campos dos Goytacazes, onde mantêm lojas.
Segundo relatos, apenas um dos comerciantes informou ter tido prejuízo superior a R$ 100 mil.
Uma testemunha contou ainda que as vítimas se dispuseram a ligar para os vendedores em São Paulo para comprovar a legalidade das compras.
Quando eles viram os telefones... esquece. Pegou tudo. Todos os telefones. Eu liguei pro dono da mercadoria. Ele falou ‘não, péra aí, eu tenho a nota’. Mas não adiantou nada. Tomaram tudo. Levaram todos os telefones
testemunha
A investigação foi iniciada pela Corregedoria da Polícia Militar, que encaminhou o caso ao Ministério Público. No mês passado, o MP denunciou os três policiais por roubo qualificado.
Dois dos aparelhos foram recuperados: um estava sendo usado por um dos agentes e outro pela mulher dele. A promotoria já identificou com quem estão os outros nove celulares roubados, e essas pessoas serão intimadas a devolver os bens.
Os policiais acusados são os sargentos Joás Ramos do Nascimento e Denis Willians Neres Alpoim e o cabo Rogério Vieira Guimarães, lotados em uma unidade da PM no Jardim Primavera, em Duque de Caxias.
A investigação ainda não conseguiu identificar os quatro ocupantes dos dois carros de passeio que teriam participado da ação. MP e Corregedoria enfrentaram dificuldade para chegar aos envolvidos porque os policiais não utilizavam câmeras corporais no momento do crime.
O GPS da viatura também foi usado como elemento de prova, indicando que o carro oficial estava no horário e no local do roubo.
O MP também investiga outro registro envolvendo um ônibus que teria sido alvo de um grupo de policiais militares.
Testemunhas relataram que, cerca de um mês antes do roubo no Arco Metropolitano, comerciantes que viajavam para Campos dos Goytacazes foram abordados na altura de Seropédica, por volta das 23h45, por policiais militares que teriam exigido R$ 30 mil para não apreender uma carga de celulares, conforme o registro oficial.
A defesa do cabo Rogério Vieira Guimarães afirma, em nota, que os policiais são inocentes e que isso será demonstrado ao longo do processo. Também critica a decretação da prisão preventiva e o tratamento dado a policiais militares no estado.
No texto, a defesa alega que a acusação se refere a fatos ocorridos em 2025, sem elementos que justificassem uma prisão preventiva, e argumenta que, em casos envolvendo PMs, primeiro se prende e se desmoraliza, para depois apurar a verdade.
A nota menciona ainda um caso em que policiais foram absolvidos após dois anos presos e sustenta que acusações contra PMs serviriam para desmotivar o enfrentamento ao crime.
Segundo a defesa, não há oposição à punição de culpados, mas há preocupação com o respeito às garantias constitucionais, que, na avaliação dos advogados, não estariam sendo asseguradas aos policiais.
A Polícia Militar informou, por meio de nota, que a Corregedoria Interna cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão contra policiais lotados no 15º BPM (Duque de Caxias), na chamada “Operação Arco”.
De acordo com o comunicado, as investigações foram conduzidas exclusivamente pela Corregedoria Interna, começaram na 6ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, em Campos dos Goytacazes, e foram posteriormente remetidas à 8ª DPJM, especializada em casos complexos.
Os presos respondem por crime de roubo qualificado ocorrido na madrugada de 10 de maio de 2025, após abordarem um ônibus no Arco Metropolitano. Os mandados, expedidos pela Auditoria de Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro, foram cumpridos em diferentes endereços da Baixada Fluminense, e três policiais militares foram conduzidos à Unidade Prisional da corporação.