Vladimir Putin intensifica tensões globais com simulação de ataque nuclear

Líder russo responde à possibilidade de intervenção ocidental na Ucrânia com exercícios nucleares táticos

Por Plox

06/05/2024 11h47 - Atualizado há cerca de 1 mês

Em um movimento considerado uma escalada retórica significativa, o governo russo, liderado por Vladimir Putin, realizou uma simulação de ataque nuclear tático nesta segunda-feira (6). O exercício foi uma resposta direta aos comentários de líderes ocidentais sobre o envio de tropas para apoiar a Ucrânia contra a invasão russa que começou em 2022. De acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a medida visa desencorajar as ações de países como França, Reino Unido e Estados Unidos.

Foto: Agencia Lusa / Reprodução

O presidente francês Emmanuel Macron, junto a políticos britânicos e americanos, enfrentou críticas por parte da Rússia após sugerirem o envio de apoio militar à Ucrânia. Os exercícios russos envolveram o uso de sistemas de armas nucleares táticas, uma categoria de armas com capacidade de destruição localizada, geralmente empregadas contra alvos militares específicos e consideradas menos devastadoras que as ogivas estratégicas.

Peskov destacou que a França já pode ter mobilizado soldados da Legião Estrangeira para o território ucraniano, uma ação que Moscou interpreta como um aumento significativo do envolvimento ocidental no conflito. Além disso, o exercício nuclear foi descrito pela agência de espionagem militar de Kiev como uma forma de "chantagem nuclear", aumentando as tensões entre as nações.

A prática de utilizar a ameaça nuclear como ferramenta política não é nova para o Kremlin. Desde o início da invasão, a Rússia tem utilizado a retórica nuclear para moderar a intervenção ocidental em apoio a Ucrânia. Em fevereiro de 2022, pouco antes da invasão, Putin já havia ordenado um grande exercício nuclear que envolveu mísseis de solo, bombardeiros e submarinos, ampliando a mensagem de que qualquer interferência resultaria em consequências severas.

Recentemente, a situação no campo de batalha parece ter pressionado ainda mais a diplomacia internacional. O chanceler britânico David Cameron mencionou que a Ucrânia deveria ter autonomia para utilizar os mísseis fornecidos pelo Reino Unido conforme achasse necessário, o que sinaliza uma mudança na postura do Ocidente em relação ao uso de armas fornecidas a Kiev.

Com a ameaça de Putin de usar armas táticas se as tropas ocidentais forem enviadas para Ucrânia, a possibilidade de uma escalada nuclear ressurge, trazendo preocupações globais sobre o desdobramento da guerra e suas consequências para a estabilidade internacional. Os exercícios anunciados ocorrerão em data não revelada, envolvendo o Comando Militar Sul da Rússia e forças da Marinha, aumentando a incerteza sobre o futuro das relações internacionais e a segurança global.

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