Anvisa anuncia monitoramento ativo de canetas emagrecedoras após alta de notificações

Novo Plano de Farmacovigilância Ativa muda o acompanhamento de relatos voluntários para vigilância proativa, em parceria com estabelecimentos de saúde, e mira efeitos colaterais e problemas no uso de agonistas do GLP-1.

06/05/2026 às 17:43 por Redação Plox

Preocupada com o aumento do uso das chamadas canetas emagrecedoras — muitas vezes de formas não previstas na bula — a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta quarta-feira (6), um Plano de Farmacovigilância Ativa. A medida muda a estratégia do órgão: em vez de apenas aguardar relatos voluntários de pacientes e profissionais de saúde, a agência passará a realizar um monitoramento proativo em parceria com estabelecimentos de saúde.


Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta quarta-feira (6), um Plano de Farmacovigilância Ativa.

Foto: Divulgação/Lasca e Catedral Laboratório


O foco é identificar, de forma sistemática, possíveis efeitos colaterais relacionados ao uso de medicamentos agonistas do receptor do GLP‑1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1), popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

Plano mira efeitos adversos e uso fora das indicações

Segundo o diretor Thiago Lopes Cardoso Campos, a iniciativa responde ao “crescimento expressivo do consumo” e ao aumento de complicações no Brasil. Entre 2018 e março de 2026, foram registradas 2.965 notificações de eventos adversos relacionados aos medicamentos, especialmente em 2025, com predominância de casos associados ao uso da semaglutida.

Estamos diante de medicamentos com benefícios comprovados para o tratamento do diabetes e da obesidade, mas cujo uso tem se expandido para situações fora das indicações aprovadas, frequentemente sem acompanhamento clínico adequado

Thiago Lopes Cardoso Campos

Durante a 7ª reunião pública da diretoria da agência, Campos também alertou que a procura pelas canetas emagrecedoras tem impulsionado a circulação de produtos falsificados, manipulados em condições inadequadas ou de procedência desconhecida. A venda de medicamentos irregulares é crime previsto no artigo nº 273 do Código Penal.

Rede Sentinela e hospitais universitários participam do monitoramento

De acordo com o diretor, o plano é um desdobramento de uma ação anunciada no início do mês anterior, voltada ao monitoramento pós-venda e ao fortalecimento da farmacovigilância dos medicamentos agonistas do receptor do GLP‑1.

O monitoramento terá participação voluntária da Rede Sentinela, formada por serviços de saúde, estabelecimentos de ensino e pesquisa, serviços de assistência farmacêutica, laboratórios clínicos e de anatomia patológica. A iniciativa também agrega a HU Brasil (antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Ebserh), que reúne hospitais universitários em todo o país.

Campos afirmou que a ação será complementada por um acordo de cooperação com a Polícia Federal (PF) para iniciativas conjuntas e que o plano permite a entrada de novos parceiros, desde que tenham capacidade técnica e compromisso com a qualificação das notificações.

Anvisa destaca riscos na fase pós-comercialização

Segundo Campos, é no período após a comercialização que riscos raros, tardios ou ligados a situações específicas de uso passam a se manifestar com mais clareza. Ele argumentou ainda que a sociedade não pode permitir que o entusiasmo com a inovação obscureça os riscos ligados ao uso indiscriminado desses medicamentos.

Para o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o interesse gerado pelas canetas emagrecedoras exige uma atuação “firme, coordenada e muito atenta” da agência reguladora. Na avaliação dele, a farmacovigilância ativa tem papel “absolutamente estratégico”, ao organizar com os serviços de saúde uma busca estruturada para detectar precocemente eventos adversos, qualificar as informações recebidas e ampliar a capacidade de análise dos riscos associados ao uso desses medicamentos.

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