BNDES faz oficina de crédito em BH para ampliar acesso de MPMEs a financiamento em Minas
Evento na sede da Fiemg reuniu banco e empresariado para orientar sobre projetos, prazos, condições e critérios; Mercadante citou infraestrutura e ferrovias como caminho para reduzir custos logísticos no estado.
06/05/2026 às 10:53por Redação Plox
06/05/2026 às 10:53
— por Redação Plox
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quer ampliar a presença junto às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) em Minas Gerais e, com isso, democratizar o acesso ao crédito para além das grandes companhias, que tradicionalmente estão mais preparadas para cumprir as exigências técnicas do banco de fomento.
Com esse objetivo, a instituição realizou nesta terça-feira (5/5) uma “oficina de crédito” na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte. O encontro reuniu técnicos do banco para apresentar soluções de financiamento e instrumentos de garantia voltados às MPMEs, além de rodada de negócios e atendimentos empresariais.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ao lado do presidente em exercício da Fiemg, Emir Cadar Filho.
Foto: Fiemg Divulgação
BNDES aposta em aproximação regional com as empresas
Durante o evento “Mais Perto de Você - Minas Gerais”, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante (PT), afirmou que o banco tem feito essa aproximação em alguns estados para orientar o empresariado sobre como acessar as linhas de financiamento. Segundo ele, a estratégia envolve explicar desde a forma de apresentar projetos até prazos, condições e critérios de elegibilidade.
Em Minas, Mercadante destacou que o apoio do BNDES cresceu nos últimos três anos em consultas, aprovações e desembolsos, e afirmou que o cenário de expansão em diferentes setores da economia mineira incentiva o banco a mirar novos horizontes, com atenção à ampliação da pauta exportadora.
Esse investimento em infraestrutura que estamos fazendo, sobre as grandes estradas, vai reduzir custos, aumentar a eficiência, competitividade, porque como é um estado que não tem acesso ao mar, o custo de transporte é maior. Precisa aumentar produtividade e eficiência logística para aumentar a competitividade. Vem agora um ciclo de investimento muito grande em ferrovia, que também reduz muito o custo da produção e da exportação, então estamos bastante otimistas em relação a Minas
Aloizio Mercadante
Fiemg vê crédito do banco como alternativa em cenário de Selic elevada
O presidente em exercício da Fiemg, Emir Cadar Filho, avaliou que o apoio do BNDES é essencial para a indústria em um período de taxa básica de juros (Selic) historicamente alta. Atualmente em 14,50% ao ano (a.a.) e acima de 10% a.a. desde 2022, a Selic, segundo ele, encarece o crédito e contribui para estagnar o crescimento do setor.
Para Cadar Filho, as taxas mais competitivas oferecidas pelo BNDES — a depender do tipo de projeto — são um caminho para sustentar algum crescimento diante do patamar atual da Selic. Ele também argumentou que a busca do banco por ampliar o alcance às MPMEs é importante porque, no passado, o acesso era mais restrito às grandes empresas, que já conheciam melhor os trâmites para obter financiamento.
Crédito aprovado em Minas soma R$ 59,3 bilhões desde 2023
O presidente do BNDES apresentou um balanço da atuação do banco no estado. De janeiro de 2023 ao primeiro trimestre de 2026, foram aprovados R$ 59,3 bilhões para Minas Gerais — um volume 78,6% superior aos R$ 33,2 bilhões aprovados entre 2019 e 2022.
Na média anual, as aprovações passaram de R$ 8,3 bilhões por ano no período de 2019 a 2022 para R$ 18,2 bilhões por ano desde 2023, alta de 119,3%. Na indústria, a média anual de crédito aprovado subiu de R$ 1,2 bilhão para R$ 3,8 bilhões (alta de 216,7%), com aprovações acumuladas de cerca de R$ 4,8 bilhões (2019 a 2022) para aproximadamente R$ 12,4 bilhões (2023 ao primeiro trimestre de 2026).
Na agropecuária, a média anual avançou de R$ 2 bilhões para R$ 5,1 bilhões (crescimento de 155%), e o acumulado passou de cerca de R$ 8 bilhões para aproximadamente R$ 16,6 bilhões. Em comércio e serviços, a média anual aumentou de R$ 1,5 bilhão para R$ 4 bilhões (alta de 166,7%), com o volume acumulado saindo de cerca de R$ 6 bilhões para aproximadamente R$ 13 bilhões.
Já em infraestrutura, a média anual cresceu de R$ 3,7 bilhões para R$ 5,1 bilhões (alta de 37,8%), e o volume acumulado passou de cerca de R$ 14,8 bilhões (2019 a 2022) para aproximadamente R$ 16,6 bilhões desde 2023.
O banco também voltou a apoiar projetos estratégicos para o setor público em Minas Gerais. As aprovações subiram de R$ 110 milhões (2019 a 2022) para R$ 1,43 bilhão desde 2023 até o primeiro trimestre de 2026. Na média anual, o salto foi de R$ 27,5 milhões para cerca de R$ 439 milhões.
Operações alcançam 92% dos municípios mineiros
Em 2025, Minas teve R$ 23,2 bilhões aprovados — o maior valor da série histórica iniciada em 1995. No mesmo ano, o estado foi o maior destino de recursos aprovados pelo BNDES para biocombustíveis no Brasil, com R$ 1,5 bilhão, e registrou o segundo maior volume de aprovações para inovação, com R$ 1,7 bilhão, atrás apenas de São Paulo.
No âmbito do Plano Mais Produção, Minas somou R$ 34,3 bilhões aprovados em 32 mil operações até março de 2026. Entre 2023 e 2025, foram registradas operações do BNDES em 783 dos 853 municípios mineiros — o equivalente a 92% do total.
Em 2025, as aprovações de repasse em Minas totalizaram R$ 14,4 bilhões, acima de R$ 11,9 bilhões em 2024, R$ 9,8 bilhões em 2023, R$ 7,4 bilhões em 2022 e R$ 4,6 bilhões em 2021.
Entre as principais linhas de repasse em 2025 estão Finame Materiais (R$ 3,2 bilhões), Linha Ônibus e Caminhão (R$ 2,4 bilhões), Brasil Soberano (R$ 1 bilhão), Moderfrota (R$ 900 milhões), além de Pronaf Investimento e Mais Inovação Máquinas Rodoviárias 4.0, com R$ 800 milhões cada.