CNPE reduz meta anual de corte de emissões do gás natural de 1% para 0,5%

Decisão, publicada no Diário Oficial da União nesta quarta (6), cita ajustes no mercado de biometano e prevê Mesa de Monitoramento para tentar restabelecer a meta em 1%.

06/05/2026 às 18:34 por Redação Plox

A meta de diminuir as emissões de gases de efeito estufa do setor de gás natural, inicialmente fixada em 1%, foi reduzida para 0,5% por decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A mudança foi justificada pela necessidade de ajustes no mercado de biometano, apontado como substituto sustentável ao derivado do petróleo.

A medida passou a valer nesta quarta-feira (6), após a publicação da resolução no Diário Oficial da União


A meta inicial de diminuir as emissões de gases do efeito estufa do setor de gás natural em 1% foi reduzida para 0,5%, por decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Foto: Divulgação Itaipu


Ajuste de meta e avaliação do setor

Para o diretor-executivo da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), Tiago Santovito, o setor produtivo vê com bons olhos a meta definida.

A gente está muito feliz com essa meta de 0,5%, porque já temos volumes vendidos no mercado e o que a gente, de fato, pode entregar com base em confiança, credibilidade e transparência, é o volume que cumpre os 0,5%.

Tiago Santovito, diretor-executivo da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás)

Já o superintendente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), André Galvão, informou que a avaliação inicial do governo considerava uma redução ainda maior, para 0,25%, mas que a revisão de parâmetros apresentados pelo setor abriu espaço para o ajuste em 0,5%.

Segundo Galvão, a discussão envolveu parâmetros considerados mais realistas, com dados das empresas e a perspectiva de inauguração de plantas de biometano.

Mesa de monitoramento para o mercado de biometano

Além de revisar a meta anual, o CNPE determinou a criação de uma Mesa de Monitoramento do Mercado de Biometano, coordenada pelo Ministério de Minas e Energia, com o objetivo de restabelecer a meta em 1%.

A meta está prevista na Lei do Combustível do Futuro e integra o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, citado como uma das políticas que dão base a compromissos internacionais, como o Acordo de Paris.

Possíveis impactos sobre compromissos climáticos

A mudança pode impactar o cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) apresentada pelo Brasil durante a COP29, em Baku. As metas propostas pela NDC brasileira estabelecem uma redução de emissões de gases de efeito estufa no país entre 59% e 67% até 2035, além da neutralidade das emissões até 2050.

Projeções para novas plantas e aumento gradual de metas

Na avaliação de André Galvão, a produção de biometano a partir de plantas de aproveitamento de resíduo sólido permanece em trajetória de crescimento e pode, inclusive, abrir caminho para uma futura reavaliação que leve à adoção de percentuais acima de 1% nos próximos anos.

De acordo com a ABiogás, há 50 novas autorizações para plantas entrarem em funcionamento até 2027, e estudos de mapeamento de mercado indicam outros 127 empreendimentos até 2030.

O setor projeta uma evolução gradual das metas ao longo do programa, com a previsão de 1,5% em 2027 e um avanço progressivo até 5% em 2030.

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