Empregada doméstica grávida afirma ter sido agredida por ex-chefe no MA e relata que tentou proteger o bebê durante os ataques: “Eles não se importavam”
Doméstica de 19 anos afirma que foi atacada em 17 de abril, na casa onde trabalhava em Paço do Lumiar; Polícia Civil do Maranhão investiga e anexou áudios ao inquérito
06/05/2026 às 07:28por Redação Plox
06/05/2026 às 07:28
— por Redação Plox
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Três semanas após ter sido agredida pela ex-patroa, uma empregada doméstica de 19 anos ainda tenta se recuperar dos traumas emocionais causados pela violência. Grávida de cinco meses, ela registrou boletim de ocorrência afirmando que foi espancada pela empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, após ser acusada de roubar joias. A Polícia Civil investiga o caso.
As agressões ocorreram em 17 de abril, na casa onde a jovem trabalhava, no município de Paço do Lumiar, na Grande São Luís. Segundo o relato da vítima, ela aceitou o emprego para comprar o enxoval do bebê, com um contrato previsto para durar apenas um mês.
A empresária Carolina Sthela é suspeita de agredir a ex-funcionária de 19 anos na Grande São Luís
Foto: Reprodução/TV Mirante
Ataque ocorreu durante acusação de roubo de joias
A jovem contou que sofreu puxões de cabelo, tapas, socos e murros, além de ter sido derrubada no chão. Ela disse que, durante a agressão, tentou evitar que os golpes atingissem a barriga.
Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam
A jovem
Depois de mais de uma hora de procura, a joia que a empresária dizia ter sido roubada foi encontrada no cesto de roupa suja da residência. Ainda assim, de acordo com a vítima, as agressões continuaram. Ela afirmou que não levou chutes porque permaneceu o tempo todo protegendo a barriga, mas ficou com marcas pelo corpo.
Polícia investiga agressão contra doméstica acusada de roubo por ex-patroa
Foto: Reprodução/ TV Mirante
Áudios atribuídos à suspeita foram anexados ao inquérito
Todas as agressões atribuídas à empresária foram descritas em áudios postados pela própria suspeita em um grupo de mensagens e obtidos pela TV Mirante. Segundo a Polícia Civil, as mensagens serão usadas como prova na investigação.
A produção da TV Mirante informou ter confirmado com a Polícia Civil do Maranhão que os áudios são verdadeiros e que já estão anexados ao inquérito. Em um dos trechos, segundo o material citado na reportagem, a empresária afirma que a vítima deveria ter ficado com mais hematomas e usa a expressão “não era pra ter saído viva”.
Nos áudios, a mulher relata que contou com a ajuda de um homem, ainda não identificado, para pressionar a empregada de forma violenta. Ela também descreve que o homem teria ido armado até a casa dela na manhã do dia 17 de abril e que, após a abordagem, o anel foi encontrado no cesto de roupa suja — mas, conforme o relato atribuído à suspeita, a agressão continuou.
A vítima, que tem 19 anos, está grávida de cinco meses.
Foto: Reprodução/TV Mirante
Boletim de ocorrência e exame confirmaram lesões, diz vítima
No dia seguinte, a empregada registrou boletim de ocorrência e fez exame de corpo de delito, que confirmou as lesões. Segundo ela, as fotos mostram marcas pelo corpo e um ferimento na testa que teria sido causado por uma coronhada.
A empresária também registrou boletim de ocorrência, mas apresentou uma versão diferente da descrita nos áudios. Na delegacia, disse que sentiu falta das joias, procurou pela casa e não encontrou; afirmou ainda que pediu para ver a bolsa da empregada, onde as joias estariam. De acordo com esse relato, ela teria chamado a polícia, mas a empregada teria saído correndo pelo condomínio.
O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. Até o momento, Carolina Sthela não foi presa nem indiciada. Em nota, a suspeita afirmou que as alegações são “uma distorção do que realmente aconteceu” e que medidas jurídicas já foram tomadas para esclarecer os fatos.
À TV Mirante, o marido de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos afirmou que não existem áudios dela e que as mensagens divulgadas são “inverdades”.
Polícia aponta mais de dez processos envolvendo a suspeita
A Polícia Civil informou ainda que existem mais de dez processos envolvendo a suposta agressora. Em um deles, de 2024, ela foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá do filho dela de roubar uma pulseira de ouro. O processo tramitou no Juizado Civil e Criminal de Santa Inês, com sentença proferida em outubro do ano passado.
Nesse caso, a acusada foi condenada a seis meses de prisão em regime aberto, mas a pena foi substituída por prestação de serviço comunitário. Ela também foi condenada a pagar R$ 4 mil por danos morais.
A TV Mirante também entrevistou Sandila Souza, ex-babá que denunciou a mesma mulher em outro processo. Ela contou que começou a trabalhar na casa da suspeita quando tinha 17 anos e que atualmente não mora mais no Maranhão. Segundo Sandila, o pagamento era feito por contas de terceiros, nunca diretamente pela patroa, e a indenização por danos morais ainda não foi paga.
OAB diz que prepara relatório e acompanha o caso
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil informou que prepara um relatório sobre os processos envolvendo a suspeita e que também acompanha o caso registrado na semana passada.