Sind-UTE promove debates sobre concessão de 95 escolas estaduais ao BTG Pactual
Ações começam na próxima semana e buscam ampliar o debate com comunidades; Comissão de Educação realiza audiência pública na quarta (6/5), às 10h, no Auditório José Alencar, sobre o edital 1/26.
06/05/2026 às 08:11por Redação Plox
06/05/2026 às 08:11
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG) inicia na próxima semana uma mobilização nos territórios onde estão localizadas as 95 escolas leiloadas pelo governo de Minas Gerais. A proposta é debater o tema com as comunidades do entorno das unidades e ampliar a discussão sobre os efeitos do processo.
Os encontros ocorrem paralelamente a outras iniciativas, como as ações da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), presidida pela deputada Beatriz Cerqueira. Em pauta, os impactos do Edital de Concorrência Internacional 1/26, que trata da concessão administrativa para reforma, conservação, manutenção e operação de serviços não pedagógicos em 95 escolas da rede estadual.
A reunião foi solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), que tem visitado unidades incluídas no edital relacionado ao modelo de parceria público-privada (PPP).
Foto: Divulgação
Audiência pública na ALMG coloca concessão em debate
O tema também será discutido em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG, nesta quarta-feira (6/5), às 10 horas, no Auditório José Alencar. A reunião foi solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), que tem visitado unidades incluídas no edital relacionado ao modelo de parceria público-privada (PPP).
No dia 30 de março de 2026, o governo de Minas realizou na B3 o leilão da PPP da infraestrutura escolar, repassando 95 escolas estaduais em 34 municípios ao fundo IG4 BTG Pactual Health Infra, por 25 anos. O texto aponta que o governo apresenta a medida como modernização, enquanto críticos afirmam que, na prática, ela aprofunda a mercantilização da escola pública, pressiona condições de trabalho e fragiliza a gestão democrática.
Sindicato leva discussão para dentro e fora das escolas
Diante deste cenário, o Sind-UTE decidiu realizar as mobilizações territoriais, levando o debate para dentro e fora da escola, dialogando diretamente com estudantes, famílias, trabalhadores da educação, comércio local, moradores e serviços públicos do entorno. A defesa da escola pública deve ser feita na sala de aula, mas também no bairro e na rua, mostrando que a PPP altera a vida cotidiana da comunidade escolar e a forma como os recursos públicos são administrados informa diretora de comunicação do Sindicato, Marcelle Amador.
PPP prevê repasses mensais e levanta questionamentos sobre investimentos prévios
De acordo com a PPP, o BTG Pactual receberá R$ 22,3 milhões por mês do Estado como contraprestação por serviços de limpeza, vigilância, jardinagem, manutenção predial (obras de modernização e conservação dos imóveis), fornecimento de utilidades, tecnologia da informação e controle de acesso, pelo período de 25 anos.
O texto também afirma que as escolas incluídas no leilão receberam investimentos antes do processo. Segundo levantamento do gabinete da deputada Beatriz Cerqueira, nas primeiras quatro unidades da lista de 95 leiloadas foram gastos R$ 11,1 milhões em investimentos públicos antes da privatização da infraestrutura.
Parte dos investimentos que seriam de responsabilidade da vencedora do leilão, segundo a matéria, já havia sido feita com recursos públicos. A deputada informou que denunciou os fatos ao Tribunal de Contas do Estado e aguarda análise do órgão.
Comissão visita escolas e cobra explicações sobre a motivação da privatização
O projeto prevê investimentos de R$ 5,1 bilhões em 25 anos. A Comissão de Educação já visitou quatro escolas estaduais — Presidente Dutra, Ana de Carvalho Silveira, Coração Eucarístico e Isabel da Silva Polck — e pretende visitar as 95 unidades.
A deputada avalia que a motivação para a privatização precisa ser esclarecida e questiona a pertinência de repassar mensalmente milhões de reais em recursos públicos para um fundo executar funções que, segundo ela, já são realizadas pela gestão das unidades em termos de oferta de equipamentos e serviços à comunidade. A parlamentar defende que os investimentos necessários na infraestrutura sejam planejados pelo próprio sistema estadual de educação, sem envolvimento da iniciativa privada.