Usiminas prevê investimentos entre 1,4 e 1,6 bilhão em 2026; Ipatinga recebe R$ 971 milhões

Plano foi apresentado pelo presidente Marcelo Chara em meio a alerta sobre pressão competitiva do aço chinês e necessidade de reforçar a competitividade da operação no Brasil.

06/05/2026 às 17:14 por Redação Plox

Marcelo Chara, diretor-presidente da Usiminas, apresentou à imprensa um diagnóstico de forte pressão sobre a indústria do aço, em meio à turbulência global, ao avanço das exportações chinesas e à necessidade de investimentos para manter a competitividade da operação no Brasil. Na atualização da apresentação, ele destacou que o grupo prevê R$ 1,6 bilhão em investimentos em 2026, sendo R$ 971 milhões destinados a Ipatinga, no Vale do Aço.

Marcelo Chara faz apresentação para imprensa do Vale do Aço

Marcelo Chara faz apresentação para imprensa do Vale do Aço

Foto: Josy Camargos/Plox Brasil

Brasil aparece como principal destino do aço plano chinês fora da Ásia

Um dos pontos centrais da exposição foi o peso do Brasil nas vendas externas da China. Segundo slide apresentado pela Usiminas, o país foi o principal destino das exportações chinesas de aços planos em 2025 fora da Ásia, com 2,7 milhões de toneladas.

A comparação destacada na apresentação chama atenção porque o Brasil aparece com volume muito superior ao dos Estados Unidos, que figura no material com 0,2 milhão de tonelada.

Marcelo Chara destacou a necessidade de uma política antidumping, principalmente contra a China

Marcelo Chara destacou a necessidade de uma política antidumping, principalmente contra a China

Foto: Josy Camargos/Plox Brasil

Reação internacional e medidas antidumping no Brasil

Chara também apresentou uma leitura de reação internacional ao que a companhia classifica como competição desleal. A apresentação citou medidas adotadas ou investigadas em mercados como Estados Unidos, Canadá, União Europeia, México e países da Ásia.

No Brasil, o governo federal aplicou em fevereiro direito antidumping definitivo, por até cinco anos, contra importações de laminados planos a frio originárias da China, além de medida também sobre laminados planos revestidos, conforme registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A coqueria 2 é um dos principais focos de investimento em Ipatinga

A coqueria 2 é um dos principais focos de investimento em Ipatinga

Foto: Josy Camargos/Plox Brasil

Usiminas aponta avanço das importações indiretas na cadeia do aço

A Usiminas também ressaltou que o problema, na visão da companhia, vai além da entrada direta de aço no país. Em slide apresentado por Chara, as importações indiretas da cadeia do aço passaram de US$ 61 bilhões em 2023 para US$ 74 bilhões em 2024 e US$ 86 bilhões em 2025, segundo metodologia citada pela empresa com base no Instituto Aço Brasil.

A companhia relaciona esse avanço a produtos de setores como bens de capital, automóveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, construção, ferramentas e outros segmentos industriais.

Resultados do 1º trimestre de 2026 mostram melhora, apesar da queda nas vendas

Mesmo em meio à pressão competitiva, a Usiminas informou melhora nos resultados do primeiro trimestre de 2026. Segundo a companhia, o Ebitda ajustado consolidado chegou a R$ 653 milhões, alta de 56% em relação ao quarto trimestre de 2025, com margem Ebitda de 11%.

As vendas de aço somaram 1,007 milhão de tonelada no período, queda de 7% frente ao trimestre anterior, enquanto a receita líquida alcançou R$ 5,9 bilhões.

Coqueria 2 concentra projetos estratégicos em Ipatinga

Na frente de investimentos, Chara destacou a Coqueria 2 como principal foco de atenção da companhia em Ipatinga. Entre os projetos apresentados está o reparo a quente da Bateria 3, com investimento de R$ 978 milhões e conclusão prevista para abril de 2028.

A apresentação também incluiu a reconstrução parcial da Bateria 4, estimada em R$ 1,7 bilhão, com início previsto para setembro de 2026 e término em janeiro de 2029.

Além disso, a empresa citou a nova planta de moagem e injeção de PCI, de R$ 597 milhões, com conclusão prevista até junho de 2026, e um novo gasômetro, de R$ 249 milhões, previsto para maio de 2027.

Impacto econômico no Vale do Aço e foco em competitividade

A apresentação também reforçou o impacto econômico da Usiminas no Vale do Aço. Segundo os dados exibidos à imprensa, a companhia realizou R$ 1,3 bilhão em compras de fornecedores da região em 2025 e pagou R$ 47,9 milhões em impostos no Vale do Aço no mesmo período.

A Usina de Ipatinga fica no bairro Bom Retiro e é uma das principais bases industriais da empresa em Minas Gerais, conforme informações institucionais da própria Usiminas.

Para a região, a mensagem apresentada por Chara combinou alerta e aposta produtiva: de um lado, a Usiminas vê risco crescente com a entrada de aço e produtos industrializados chineses; de outro, concentra em Ipatinga uma fatia relevante dos investimentos previstos para 2026, com foco em coque, energia, eficiência operacional e sustentação da competitividade da usina nos próximos anos.

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