China faz raro teste público de míssil balístico intercontinental lançado de submarino no Pacífico

Pequim disse que o disparo integrou o treinamento militar anual e que países relevantes foram avisados; Nova Zelândia, Japão e Austrália manifestaram preocupação.

06/07/2026 às 14:37 por Redação Plox

A China realizou nesta segunda-feira (6/7) um raro teste de míssil balístico intercontinental com capacidade nuclear, lançado a partir de um submarino nuclear da Marinha do Exército de Libertação Popular. O disparo ocorreu às 12h01, no horário local, a partir de uma área marítima não informada, com uma ogiva simulada que caiu em águas designadas do Oceano Pacífico.


China testa míssil intercontinental lançado de submarino e provoca alerta no Pacífico.

Foto: U.S. Navy Office of Legislative Affairs / CRS Report RL33153, via Wikimedia Commons


Pequim diz que teste fazia parte de treinamento anual

A Marinha chinesa afirmou que o lançamento fazia parte do treinamento militar anual e que países considerados relevantes foram avisados previamente. Em comunicado, o porta-voz Wang Xuemeng disse que a operação seguiu o direito internacional e

não foi direcionada contra nenhum país ou alvo específico.
O governo chinês não informou qual modelo de míssil foi utilizado, nem o ponto exato de lançamento ou de queda.

O teste chama atenção por ser o primeiro voo de um míssil intercontinental lançado de submarino divulgado publicamente pela China em quase quatro décadas. A última comunicação desse tipo havia ocorrido em setembro de 1988, quando um submarino nuclear do Tipo 09II lançou dois mísseis JL-1 no Mar de Bohai.

Países da região reagem com preocupação

A operação provocou reações de governos do Pacífico. A Nova Zelândia classificou o lançamento como um acontecimento indesejado e preocupante, especialmente por ter sido informada poucas horas antes. O ministro das Relações Exteriores, Winston Peters, afirmou que o país não tem interesse em ver o Pacífico Sul utilizado como área de teste para capacidade de mísseis.

O Japão informou que recebeu aviso prévio e pediu que Pequim reconsiderasse a operação. A Austrália também manifestou preocupação e classificou o teste como desestabilizador para a região, em meio ao aumento das capacidades militares chinesas e à disputa por influência no Indo-Pacífico.

Capacidade naval nuclear no centro da tensão

Especialistas citados pela imprensa internacional avaliam que o míssil pode ter sido o JL-3, modelo mais avançado de lançamento submarino da China, embora Pequim não tenha confirmado oficialmente a identificação. A Marinha chinesa já exibe os modelos JL-2 e JL-3 como parte de sua capacidade de dissuasão nuclear baseada no mar, estrutura considerada estratégica por permitir eventual contra-ataque a partir de submarinos.

O lançamento ocorre em um momento de maior atenção internacional sobre a expansão militar chinesa. Apesar da justificativa de rotina apresentada por Pequim, governos da região afirmaram que o episódio aumenta a tensão no Pacífico e reforçaram a necessidade de transparência em testes militares de longo alcance.

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