Justiça de Brasília condena seis acusados de sonegação fiscal na Feira dos Importados

Sentença cita desvio de mais de R$ 11,4 milhões em ICMS entre 2007 e 2024 e aponta uso de empresas de fachada, “laranjas” e ocultação de patrimônio; cabe recurso em liberdade.

06/07/2026 às 09:47 por Redação Plox

Um esquema de sonegação fiscal que teria funcionado por 17 anos na Feira dos Importados, no Distrito Federal, resultou na condenação de seis pessoas pela 2ª Vara Criminal de Brasília.


Justiça condena grupo acusado de desviar R$ 11,4 milhões em impostos na Feira dos Importados.

Foto: Reprodução/FRAME VIDEO


A sentença foi publicada na última quinta-feira (2/7) e aponta que o grupo desviou mais de R$ 11,4 milhões em ICMS entre 2007 e 2024, usando empresas de fachada,

“laranjas”
e mecanismos de ocultação de patrimônio. 

Fraude foi descoberta após cruzamento de dados

As investigações, ligadas à Operação Efeito Macro, começaram depois que uma auditoria fiscal identificou divergências entre valores movimentados por cartões de crédito e os dados declarados nos livros fiscais eletrônicos das empresas. Segundo a decisão judicial, os CNPJs ligados ao grupo apresentavam declarações sem faturamento, apesar de registrarem vendas expressivas.


Fraude foi descoberta após cruzamento de dados.

Foto: Reprodução/FRAME VIDEO



A Justiça apontou que a estrutura era liderada por Abbas Mohammad Ahmad e por Gislaine Teodosio de Gois, companheira dele. Além dos dois, foram condenados Diego Rodrigues Dias da Silva, Melquizedeque Ferreira dos Santos, Werverson Ferreira Diniz e Jefferson Teodosio de Gois. Um documento do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios já citava o processo PJe nº 0737638-85.2022.8.07.0001, em tramitação na 2ª Vara Criminal de Brasília, com parte dos nomes envolvidos.

Empresas e “laranjas”

De acordo com a sentença, o grupo usava cinco empresas no Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA) para dividir artificialmente o faturamento e manter os negócios dentro do regime do Simples Nacional. A estratégia, segundo a investigação, permitia reduzir a carga tributária e dificultar a cobrança de dívidas fiscais.

Os responsáveis pelo esquema também teriam evitado aparecer formalmente nos contratos sociais. Funcionários e familiares eram registrados como sócios, embora, segundo a apuração, atuassem apenas como

“testas de ferro”.
Esses nomes eram usados para manter as empresas funcionando mesmo quando acumulavam restrições fiscais e débitos tributários.

Movimentações incompatíveis

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada por um dos apontados como líderes. Em um único mês, a conta dele teria recebido mais de R$ 2,4 milhões, embora a renda informada ao Fisco fosse de R$ 5 mil.

Segundo reportagem do Metrópoles, Abbas Mohammad Ahmad foi condenado a 14 anos e 10 meses de reclusão, em regime fechado. Gislaine Teodosio de Gois recebeu pena de 15 anos, 9 meses e 10 dias, também em regime fechado. Os demais condenados receberam penas que variam de 3 a 7 anos, em regimes semiaberto ou com substituição por medidas restritivas de direitos, conforme o caso.

A sentença ainda cabe recurso, e os condenados poderão recorrer em liberdade, segundo a decisão citada pela reportagem. O Metrópoles informou que não localizou as defesas dos envolvidos e que o espaço permanece aberto para manifestações.

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