Casal de professores cria trenzinho “verdadeiro e sem pornografia” 

06/08/2019 18:29

Pessoas que fazem o passeio destacam os diferenciais do empreendimento, que foca no respeito às crianças e adolescentes

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Domingo, 28 de julho de 2019, Ipatinga, Minas Gerais. Uma fila de crianças, acompanhadas dos pais chamava a atenção, no fim de uma tarde de inverno, clareada pelos últimos raios do sol, quase deitado no horizonte. 

Um “trenzinho”, estilo Maria Fumaça, com chaminé e o maquinista completavam a cena. 

O momento bucólico é  raro, mas se torna remanescente, graças a iniciativa de dois professores.

Trenzinho

Erlon Arruda, de 44 anos e Patrícia Bragança, 42, professores da rede estadual de ensino, contaram que há muito tempo percebiam que alguns caminhões e ônibus adaptados eram usados para transportar crianças. “Mas a gente queria um trenzinho em ambiente familiar, com música genuinamente infantil e outros cuidados, inclusive de segurança para as crianças e os pais. Por exemplo, nós pagamos um seguro para todos que embarcam”, disse o professor.

Genericamente chamados de “Trenzin da Alegria”, esses “empreendimentos” que os professores citam não agradavam aos dois educadores. Alvo de reclamações e críticas, as autoridades passaram a ser mais exigentes para a liberação desses serviços.  

trenzinho da alegria
As mães acreditam que esse modelo de "trenzinho" é mais saudável e respeita a inocência

As denúncias vão desde perturbação da ordem a até tráfico de drogas durante os passeios e acidentes fatais, sendo que já ocorreram vários casos. Um dos mais graves, deste ano, ocorreu em 29 de março, quando o mineiro, de Governador Valadares, Melino Campos Rocha, de 32 anos, que se fantasiava como o personagem Fofão, morreu atropelado pelo caminhão adaptado para ser mais um “trenzin da Alegria”. Crianças que estavam a bordo entraram em pânico e, segundo relatos de alguns pais, estão até hoje traumatizadas. 

O Plox atendeu às sugestões de mães, que enviaram mensagens como essa: “Plox, vocês precisam fazer uma reportagem com o trenzinho verdadeiro e sem pornografia que agora está rodando no Vale do Aço”. Achamos a frase um pouco “forte”, mas o primeiro grupo que entrava no “Trenzinho Caramelo", composto por duas mulheres e duas garotinhas, já confirmou o sentimento conotado nas mensagens enviadas à redação. 

A professora de educação física Eduarda Machado Coutinho Dias, de 33 anos, foi levar suas filhas para “andar no trenzinho”.

Trenzinho da alegria

Acompanhada da mãe, Leila Machado Coelho, de 60 anos, ela disse que os outros trenzinhos não oferecem o “ambiente” que ela gostaria de disponibilizar para as filhas. “A questão das músicas por exemplo, da bagunça. Enfim, aqui é um ambiente familiar”, disse.


Uma comerciante de Ipatinga aproveitou para denunciar: “eu levei minha filha em um daqueles trenzinhos da alegria aqui na região, mas pra nunca mais. Tinha tudo quanto é porcaria, até droga eles estavam repassando. O povo tem mania de querer oferecer aos que vivem nas periferias tudo que não presta. Se é periferia, já vão logo ligando um funk e nos associando a tudo que não presta. Chega. cansei. Merecemos respeito”, desabafa.

Trenzinho caramelo

A auxiliar administrativo Kelen Oliveira, de 37 anos, mãe do pequeno Lucas, de 2 anos, também criticou os “trenzin da Alegria”, que segundo ela, tocam músicas pornográficas.

Trenzinho da alegria

“Os outros geralmente tem coisas não apropriadas. Eu não vou naqueles de jeito nenhum”, disse.

Alice de Oliveira Soares, funcionária pública estadual, disse que nos outros modelos de trenzinho tem músicas recheadas de pornografia que não são boas para suas duas filhas: Eduarda, de 4 anos e outra, de 8 anos.

Ipatinga

“Muita pornografia, muitas letras que não ajudam na educação delas. A criança tem de ser respeitada”, disse.

Mas Erlon e Patrícia afirmam que pretendem “fazer a diferença”. Ele conta que, logo que resolveu “dar vida ao sonho”,  identificou que em uma cidade paulista, onde reside o irmão que é médico, estariam os profissionais para a construção do seu Trenzinho. 

Trnzinho

Segundo o professor “maquinista”, a compra de um caminhão semi novo, a adaptação e a documentação custaram cerca de R$160 mil.

Vale do Aço

“Foi trabalhoso, custoso e  caro. Mas a realização vale a pena”, contou o “maquinista”, que ao lado da mulher, que monitora as crianças, leva todos para conhecer um pouco das três cidades do Vale do Aço: Timóteo, onde eles residem, Coronel Fabriciano e Ipatinga, às sextas-feiras, sábados e domingos, respectivamente.
 



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