PF deve indiciar funcionários e ex-funcionários da Voepass após queda de avião em Vinhedo

Inquérito sobre o voo 2283, que deixou 62 mortos em agosto de 2024, deve ser concluído nesta quinta-feira (6).

06/08/2026 às 13:09 por Redação Plox

A Polícia Federal deve apresentar nesta quinta-feira (6) a conclusão do inquérito criminal sobre a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024. Segundo apuração divulgada pelo g1 e pela GloboNews, funcionários e ex-funcionários da companhia estão entre os alvos previstos para indiciamento.

Registro da reportagem: Caixa preta da aeronave que caiu em Vinhedo (SP).

Registro da reportagem: Caixa preta da aeronave que caiu em Vinhedo (SP).

Foto: Divulgação/FAB


Até as 13h09 desta quinta, a PF ainda não havia divulgado oficialmente o resultado da investigação nem informado quantas pessoas poderão ser indiciadas. A apresentação do relatório estava prevista para as 14h. Indiciamento é uma conclusão da autoridade policial e não representa condenação; o caso seguirá para análise do Ministério Público Federal, que poderá ou não oferecer denúncia à Justiça.

Crime investigado

A apuração policial considera o possível enquadramento no artigo 261 do Código Penal, que trata do atentado contra a segurança do transporte marítimo, fluvial ou aéreo. A norma prevê punição para quem expõe uma aeronave a perigo ou pratica ato que dificulte a navegação aérea.

Quando a conduta resulta na queda ou destruição de uma aeronave, a pena prevista é de reclusão de quatro a 12 anos. Se houver mortes e for reconhecida uma conduta dolosa, a legislação determina a aplicação em dobro da pena. Já em eventual modalidade culposa, a definição da responsabilização e das penas depende da conclusão do inquérito, de eventual denúncia e da análise judicial.

Falhas técnicas e operacionais foram apontadas pelo Cenipa

Em 23 de julho de 2026, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira, divulgou o relatório técnico sobre a tragédia. A investigação preventiva apontou uma sequência de fatores operacionais, organizacionais e regulatórios que contribuíram para o acidente, mas não tem como finalidade atribuir culpa criminal ou civil.

O documento tratou de falhas no sistema de proteção contra gelo da aeronave, de condições meteorológicas severas na rota e de procedimentos operacionais. O ATR 72-500, matrícula PS-VPB, saiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP) e caiu em uma área residencial de Vinhedo. Morreram os 58 passageiros e os quatro tripulantes; não houve feridos entre moradores do imóvel atingido.

Em nota, a Voepass informou que aguardava a divulgação oficial do relatório da Polícia Federal para conhecer integralmente o conteúdo e se manifestar. A empresa também sustentou que colaborou com as autoridades desde o início das investigações. A coletiva da PF deve detalhar os próximos encaminhamentos do inquérito.

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