STF retoma julgamento sobre proibição de jogos de azar nesta quinta-feira

Análise deverá orientar processos sobre punição pela exploração de bingos, jogo do bicho e máquinas caça-níqueis em todo o país.

06/08/2026 às 10:47 por Redação Plox

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quinta-feira (6) o julgamento que definirá se continua válida a norma que proíbe a exploração de jogos de azar no Brasil. O processo envolve atividades como bingos, jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, atualmente enquadradas como contravenção penal


STF retoma julgamento que pode derrubar proibição de jogos de azar no Brasil.

Foto: Luiz Silveira/STF


A análise foi iniciada nessa quarta-feira (5), quando o plenário ouviu as partes e entidades interessadas. O relator, ministro Luiz Fux, começou a apresentar o voto, mas pediu a suspensão da sessão para concluir a fundamentação nesta quinta. O processo deverá ser o primeiro item analisado pelos ministros.

Fux deve concluir voto nesta quinta-feira

O caso discutido é o Recurso Extraordinário 966.177, classificado como Tema 924 da repercussão geral. A decisão do STF deverá orientar os demais processos judiciais que tratam da constitucionalidade da punição pela exploração de jogos de azar no país. 


Fux deve concluir voto nesta quinta-feira.

Foto: Rosinei Coutinho/STF


O recurso foi apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra uma decisão da Justiça estadual que absolveu um comerciante acusado de manter três máquinas caça-níqueis em um estabelecimento. A instância inferior entendeu que a proibição prevista em uma norma de 1941 não teria sido recepcionada pela Constituição Federal de 1988


Recurso foi apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra uma decisão da Justiça estadual que absolveu um comerciante acusado de manter três máquinas caça-níqueis em um estabelecimento.

Foto: Reprodução/FRAME VIDEO


Durante o início do julgamento, representantes do Ministério Público defenderam a manutenção da criminalização, com argumentos relacionados à proteção da saúde coletiva, ao endividamento dos apostadores e ao possível uso das atividades por organizações criminosas. As partes contrárias à proibição sustentam que a norma é incompatível com princípios como a livre iniciativa e as liberdades individuais.

Julgamento não trata diretamente das bets

O processo não analisa diretamente a legislação específica que regulamenta as apostas de quota fixa, conhecidas como bets. O debate está concentrado no artigo 50 da Lei das Contravenções Penais, que pune quem estabelece ou explora jogos de azar em locais públicos ou acessíveis ao público.

A legislação prevê prisão simples de três meses a um ano e multa para os responsáveis pela exploração. Quem participa como apostador também pode ser multado em valores entre R$ 2 mil e R$ 200 mil, inclusive quando o jogo ocorre pela internet ou por outros meios de comunicação.

Após a conclusão do voto de Luiz Fux, os demais ministros poderão apresentar seus posicionamentos. Até o início da sessão desta quinta-feira, não havia decisão definitiva sobre a manutenção ou o afastamento da proibição.

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