Transtorno de acumulação pode comprometer espaços e relações familiares, alerta psicólogo

Família de Brasília relata que idosa de 82 anos ocupou quatro cômodos da casa com objetos, situação que trouxe problemas de limpeza, mofo e insetos.

06/08/2026 às 13:49 por Redação Plox

Transtorno de acumulação: quando guardar objetos deixa de ser um hábito e vira sofrimento

O acúmulo excessivo de objetos pode ser um sinal de transtorno de acumulação, uma condição de saúde mental caracterizada pela dificuldade persistente de se desfazer de itens, mesmo quando eles não têm utilidade ou ocupam espaços necessários da casa.


Transtorno de acumulação pode comprometer espaços e relações familiares, alerta psicólogo

Foto: Foto: Bem Viver Mais


O problema costuma surgir de forma gradual.

O problema costuma surgir de forma gradual. Em muitos casos, a pessoa não percebe a dimensão da situação até que os ambientes fiquem comprometidos, dificultando a circulação, a limpeza e até a segurança dos moradores. Especialistas explicam que o descarte de objetos pode causar sofrimento intenso, ansiedade e sensação de perda.

Uma família de Brasília relatou

Uma família de Brasília relatou a convivência com uma idosa de 82 anos que acumulou objetos ao longo dos anos. Em uma residência com dez cômodos, quatro deixaram de ser utilizados porque foram ocupados por caixas, embalagens, roupas antigas e outros itens sem uso.

Segundo familiares, a situação trouxe desafios relacionados à limpeza e à presença de mofo e insetos. A dificuldade em se desfazer dos objetos também gera conflitos, já que a idosa demonstra sofrimento emocional quando algo é descartado.

O psicólogo explica

O psicólogo explica que o transtorno de acumulação precisa ser diferenciado de uma simples organização ou de guardar lembranças. O diagnóstico envolve a avaliação de um profissional de saúde mental, e o tratamento pode incluir psicoterapia e, quando necessário, acompanhamento médico.

A família decidiu tornar o caso público

A família decidiu tornar o caso público para alertar outras pessoas sobre a importância de buscar ajuda. O reconhecimento precoce dos sinais pode contribuir para melhorar a qualidade de vida da pessoa afetada e de quem convive com ela.


Transtorno de acumulação exige tratamento gradual e construção de confiança


O tratamento do transtorno de acumulação envolve, principalmente:

Acompanhamento psicoterápico  e a criação de um vínculo de confiança entre paciente e terapeuta.

O processo costuma ser longo e gradual, com foco não apenas na redução dos objetos acumulados, mas na compreensão dos motivos que levam a pessoa a manter esse comportamento.
Segundo o psicólogo Douglas Kawaguchi, professor da Faculdade Sírio-Libanês, guardar objetos faz parte do comportamento humano. O transtorno surge quando o acúmulo deixa de ter uma finalidade prática e começa a comprometer a rotina, a organização da casa, o convívio social e a qualidade de vida.
O especialista explica que a pessoa com transtorno de acumulação não age por preguiça ou falta de organização. Os objetos podem representar sensação de segurança e proteção. Por isso, o descarte forçado pela família tende a aumentar a resistência e prejudicar a relação de confiança.
Entre os sinais de alerta estão a perda progressiva de espaço nos ambientes, dificuldade para realizar a limpeza da casa, sofrimento ao se desfazer de objetos e impactos na higiene e na convivência social. Para Kawaguchi, o apoio familiar deve ocorrer com paciência e respeito, evitando confrontos e buscando incentivar a pessoa a participar das mudanças.
No caso da idosa acompanhada pela família, o objetivo é encontrar equilíbrio entre cuidado e autonomia. A expectativa dos familiares é que ela reconheça, aos poucos, a necessidade de se desfazer de parte dos objetos acumulados, sem que o processo cause sofrimento ou rompa os laços de confiança.

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