Dólar recua e Ibovespa mira exterior em dia de agenda doméstica esvaziada
Moeda americana inicia quarta-feira (7) em leve queda, enquanto investidores monitoram dados de emprego nos EUA, impacto de ofensiva na Venezuela e projeções positivas para a balança comercial brasileira
07/01/2026 às 10:37por Redação Plox
07/01/2026 às 10:37
— por Redação Plox
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O dólar começou a sessão desta quarta-feira (7) em leve queda, recuando 0,07% às 9h, cotado a R$ 5,3720. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, passa a ser negociado a partir das 10h.
Os negócios se iniciam em um dia de agenda doméstica mais esvaziada e foco voltado ao cenário internacional. Enquanto investidores aguardam indicadores importantes nos Estados Unidos, o ambiente externo segue influenciado pelos desdobramentos da crise na Venezuela.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: FreePik
Mercado à espera de dados de emprego nos EUA
Nos Estados Unidos, as atenções se concentram nos números do mercado de trabalho. O destaque é o relatório da ADP sobre folhas de pagamento do setor privado, que deve apontar criação de 47 mil vagas em dezembro, após a perda de 32 mil postos no mês anterior.
Mais tarde, será divulgada a pesquisa JOLTS de novembro, que mede o número de vagas abertas, com previsão de 7,6 milhões. Esses dados ajudam a calibrar as expectativas para o relatório oficial de empregos (payroll) de sexta-feira (9), que pode influenciar os próximos passos do Fed na condução dos juros.
O mercado americano segue precificando dois cortes nas taxas de juros ao longo do ano, o que aumenta a sensibilidade dos investidores a cada novo indicador.
Ofensiva dos EUA e petróleo venezuelano
No front geopolítico, continuam repercutindo os desdobramentos da ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela. Na véspera, Donald Trump anunciou que autoridades interinas venezuelanas concordaram em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade e sancionado” aos EUA.
O presidente afirmou que o governo interino da Venezuela se comprometeu a enviar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade ao mercado americano, em anúncio feito em uma rede social. A declaração foi dada três dias após uma ação militar dos EUA no país, que resultou na prisão de Nicolás Maduro.
Trump disse que o petróleo será vendido a preços de mercado e que ficará responsável por controlar os recursos obtidos, com o objetivo de direcioná-los “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos.
Donald Trump
O volume prometido equivale a aproximadamente dois meses da atual produção venezuelana. Desde dezembro, o país acumula milhões de barris em navios e tanques, sem conseguir exportá-los, em razão de um bloqueio imposto por Trump como parte da pressão que levou à queda de Maduro.
A produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, afetada por má gestão e pela falta de investimentos estrangeiros após a nacionalização do setor nos anos 2000. Com a nova ofensiva dos EUA, parte do mercado avalia que o petróleo venezuelano pode voltar a circular, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.
Agenda doméstica e balança comercial brasileira
No Brasil, a agenda econômica é mais leve, com expectativa pelos números do fluxo cambial semanal. Na véspera, foi divulgado que o país encerrou 2025 com superávit de US$ 68,293 bilhões na balança comercial, o terceiro melhor resultado anual já registrado.
A projeção para este ano é de um saldo comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, mantendo o Brasil em posição de forte gerador de divisas.
Desempenho recente do dólar e do Ibovespa
No acumulado da semana, o dólar registra queda de 0,82%. Em janeiro, a moeda americana recua 1,99%, mesma variação acumulada no ano até agora.
O Ibovespa, por sua vez, sobe 1,95% na semana. No mês e no ano, o índice acumula alta de 1,58%, refletindo o maior apetite por risco em meio à expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos e ao quadro de superávit comercial robusto no Brasil.
Bolsas globais operam com cautela
Em Wall Street, os mercados mostram cautela antes da divulgação dos dados de emprego, após os recordes recentes do S&P 500 e do Dow Jones na sessão anterior. Por volta das 9h (horário de Brasília), os contratos futuros do Dow Jones subiam 0,04%, enquanto os do S&P 500 recuavam 0,15% e os da Nasdaq caíam 0,35%.
Na Europa, o sentimento é mais positivo, impulsionado pela desaceleração da inflação na zona do euro para 2% em dezembro, em linha com a meta do Banco Central Europeu (BCE). Pela manhã, os índices operavam de forma mista: DAX avançava 0,6%, Stoxx 600 estava estável, FTSE 100 recuava 0,5% e CAC 40 caía 0,2%.
Bolsas asiáticas fecham mistas
As bolsas asiáticas encerraram o pregão sem direção única. Na China, os índices permaneceram próximos dos maiores níveis em mais de dez anos, apoiados por volumes de negociação mais altos e expectativas de crescimento dos lucros corporativos. Em Hong Kong, houve realização de lucros após três dias de alta.
No fechamento, os principais índices ficaram assim: Hang Seng recuou 0,94%, a 26.458 pontos; Xangai SSEC avançou 0,05%, a 4.085 pontos; CSI300 caiu 0,29%, a 4.776 pontos; Nikkei recuou 1,06%, a 51.961 pontos; Kospi subiu 0,57%, a 4.551 pontos; Taiex caiu 0,46%, a 30.435 pontos; e Straits Times avançou 0,13%, a 4.746 pontos.