Política

Fechamento do espaço aéreo venezuelano após captura de Maduro afeta voos brasileiros para o Caribe

Ataques dos EUA que levaram à captura de Nicolás Maduro e de sua esposa fecharam o espaço aéreo da Venezuela no fim de semana, forçando cancelamentos, desvios de rotas e remarcações em voos de Azul, Gol, Latam e Avianca para o Caribe e Estados Unidos.

07/01/2026 às 08:15 por Redação Plox

O fechamento do espaço aéreo da Venezuela ao longo do fim de semana provocou uma série de transtornos e prejuízos para companhias aéreas que utilizam a região como corredor, em especial em voos com destino a países banhados pelo mar do Caribe. Azul, Gol, Latam e Avianca, que operam rotas a partir do Brasil, foram obrigadas a reorganizar ou suspender operações que tinham o Caribe como ponto final, após os ataques dos Estados Unidos que resultaram na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado (3).

Azul, Gol, Latam e Avianca tiveram que reajustar rotas

Azul, Gol, Latam e Avianca tiveram que reajustar rotas

Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil


Voos cancelados e rotas alteradas

A Azul cancelou os voos entre Confins (Minas Gerais) e Curaçao, em ambos os sentidos, que estavam programados entre domingo (5) e esta terça-feira (6). A rota entre Belém e Fort Lauderdale (EUA) foi suspensa na segunda (5) e na quarta-feira (7). De acordo com a companhia, foram escalados voos extras para atender os passageiros afetados nessas duas ligações, entre esta terça e sexta-feira (9).

A empresa destaca que as mudanças têm como objetivo preservar a segurança das operações, em meio ao fechamento repentino de uma das principais rotas aéreas da região.

A Azul lamenta eventuais transtornos causados aos clientes e reforça que ações como essa são necessárias para garantir a segurança de suas operações, valor primordial para a companhia

Azul

Gol desvia voos e suspende ligações com o Caribe

A Gol, que havia retomado em agosto os voos para Caracas, está com suas rotas para a região suspensas há pouco mais de um mês, desde que o governo dos Estados Unidos emitiu comunicado alertando para o aumento de atividades militares e classificando o espaço aéreo como perigoso.

Durante o fim de semana, dez voos da Gol que saíam de Brasília com destino a Miami ou Orlando, trajetos que normalmente são feitos sem escalas, precisaram ser desviados para realizar conexão em Manaus, para abastecimento. A alteração foi revelada inicialmente pelo jornal Valor Econômico e confirmada posteriormente.

No caso dos trechos para o Caribe, as viagens da Gol foram suspensas ainda na madrugada de sábado e retomadas após a reabertura do espaço aéreo, no domingo. Um voo com destino a Curaçao acabou cancelado.

Latam e Avianca retomam operações na região

A Latam retomou os sobrevoos pela área na segunda (5) e afirma que as operações de Aruba e Curaçao foram normalizadas. A companhia opera três voos semanais a partir de Bogotá (Colômbia) e, após as interrupções, acrescentou mais duas frequências de ida e volta para Curaçao e Aruba, em tentativa de acomodar a demanda reprimida durante o fechamento.

A empresa reforça o compromisso com a segurança e a continuidade do serviço, e ressalta que a paralisação ocorreu em um contexto totalmente fora de seu controle.

A Avianca também suspendeu as operações no sábado e as retomou no domingo, assim que o espaço aéreo foi liberado. A companhia voa para Aruba, Curaçao e San Juan (Porto Rico), em alguns trechos operados em parceria com a Gol. O monitoramento permanente da situação e o alinhamento com as determinações das autoridades aeronáuticas orientam o planejamento das rotas.

As empresas informam que continuam acompanhando de perto o cenário e que seguirão todas as instruções necessárias para garantir a segurança de tripulações e passageiros.

Direitos dos passageiros e alternativas oferecidas

Em todos os casos, passageiros afetados pela paralisação dos voos foram comunicados pelas companhias com orientações sobre como proceder. As empresas ofereceram opções de remarcação ou cancelamento das passagens, além da possibilidade de receber crédito para uso futuro ou solicitar reembolso.

A orientação principal é que os clientes mantenham atenção às notificações e atualizações nos canais oficiais das companhias, onde são publicados avisos sobre o status dos voos e eventuais mudanças nas operações.

Setor aéreo em alerta diante de novas crises

Abalado pelas restrições impostas pela Covid-19, o setor aéreo tenta evitar novas crises com potencial de provocar um efeito cascata devastador nas operações. A situação na Venezuela é acompanhada de perto por empresas e associações, que buscam reagir rapidamente para reduzir os danos.

Os problemas financeiros acumulados após a pandemia levaram a um redesenho das malhas aéreas em todo o mundo, em meio ao aumento de custos com taxas aeroportuárias, combustível de aviação e à volatilidade do dólar. Esse cenário torna o impacto de fechamentos de rotas estratégicas ainda mais sensível para as companhias.

Atuação da Iata e impacto econômico

Consultada sobre as dificuldades enfrentadas por empresas que operam na região, a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) afirmou que, desde os primeiros avisos de segurança relacionados à Venezuela, emitidos no fim do ano passado, tem solicitado a cooperação de autoridades e agentes econômicos do setor para auxiliar as companhias.

A associação diz estar engajada com outras organizações da aviação para facilitar o fluxo de informações e aprimorar a coordenação com as empresas afetadas, com o objetivo de minimizar interrupções e preservar a segurança dos voos.

Segundo a entidade, ainda não é possível avaliar com precisão o impacto econômico do fechamento e das restrições no espaço aéreo da região. No entanto, o aumento do tempo de voo e a necessidade de rotas alternativas tendem a resultar em custos operacionais mais altos para as companhias diretamente atingidas, pressionando ainda mais a estrutura financeira do setor.

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