Política

Moraes condiciona remoção de Bolsonaro a hospital à realização de exames após queda em cela

Ministro do STF determinou que defesa apresente lista completa de exames antes de qualquer transferência; PF relata ferimentos leves, enquanto defesa cita suspeita de traumatismo e crise convulsiva

07/01/2026 às 07:04 por Redação Plox

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou nesta terça-feira (6/1) que a defesa de Jair Bolsonaro (PL) apresente a lista completa dos exames médicos considerados necessários após a queda sofrida pelo ex-presidente na cela da Polícia Federal, durante a madrugada.

Pedido médico inclui exames neurológicos para apurar efeitos da queda relatada por Bolsonaro (dir) durante a madrugada

Pedido médico inclui exames neurológicos para apurar efeitos da queda relatada por Bolsonaro (dir) durante a madrugada

Foto: Gustavo Moreno/STF


A exigência foi estabelecida como condição para qualquer autorização de remoção de Bolsonaro para um hospital particular em Brasília.

Defesa entrega relação de exames ao STF

Poucos minutos após o despacho de Moraes, os advogados do ex-presidente protocolaram no STF a relação de procedimentos solicitados pelo médico Brasil Ramos Caiado, cardiologista que o acompanha. Entre os exames indicados estão tomografia computadorizada de crânio, ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma.

No documento, o médico elenca como indicações clínicas a necessidade de esclarecer uma possível crise convulsiva, suspeita de lesão craniana compatível com traumatismo cranioencefálico (TCE), síncope noturna com queda, oscilações transitórias de memória e a existência de lesão cortante na região temporal e na face lateral direita.

PF fala em ferimentos leves após queda

No despacho, Alexandre de Moraes registrou que, de acordo com nota oficial da Polícia Federal, Bolsonaro foi atendido por uma equipe médica ainda pela manhã, após relatar a queda na cela durante a madrugada.

Segundo a corporação, os profissionais constataram “ferimentos leves” e, naquele momento, não recomendaram remoção hospitalar imediata, orientando apenas a observação do quadro clínico nas dependências da PF.

Apesar da avaliação inicial, a defesa recorreu ao STF pedindo autorização para remoção imediata de Bolsonaro ao Hospital DF Star, em Brasília, a pedido do médico particular. Os advogados argumentaram a necessidade de preservar a integridade física do ex-presidente e evitar eventual agravamento do estado de saúde.

Moraes quer exames específicos e avalia uso do sistema prisional

Moraes reforçou que a defesa tem direito à realização de exames complementares, desde que haja indicação específica e comprovada. O ministro determinou ainda que seja analisada a possibilidade de que esses procedimentos sejam feitos no próprio sistema penitenciário antes de qualquer deslocamento externo.

Ao longo da manhã, a Polícia Federal divulgou comunicados sucessivos sobre o caso. Em um primeiro momento, informou que não via necessidade de atendimento hospitalar. Depois, anunciou que Bolsonaro seria encaminhado a um hospital, a pedido do médico particular. Minutos mais tarde, esclareceu que a remoção dependeria de autorização do Supremo Tribunal Federal.

Relato de Michelle e situação processual

Antes da confirmação oficial da PF, Michelle Bolsonaro usou as redes sociais para informar que o marido havia sofrido uma queda na cela durante a madrugada e se ferido, afirmando que o episódio só teria sido percebido quando ela chegou para visitá-lo.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições presidenciais de 2022. Ele está em regime fechado em uma sala da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, por determinação do STF.

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