O salário mínimo na Venezuela está congelado em 130 bolívares mensais desde março de 2022. Com a forte desvalorização da moeda local, esse valor passou a equivaler a cerca de R$ 2,34 por mês, segundo a cotação oficial do Banco Central da Venezuela (BCV) convertida em reais. Em 5 de janeiro de 2026, o dólar estava cotado em aproximadamente 304,30 bolívares, o que ajuda a dimensionar a perda de valor do piso salarial no país.
Esse quadro se desenrola em meio à grave crise econômica enfrentada pela Venezuela, agravada pela instabilidade política e pela prisão do presidente Nicolás Maduro, detido em uma operação militar dos Estados Unidos. A conjuntura interna e externa intensificou a pressão sobre a moeda e sobre a renda da população.
Salário mínimo perde quase todo o poder de compra
Quando foi fixado em 130 bolívares, em 2022, o salário mínimo representava cerca de US$ 30 mensais. Desde então, a contínua desvalorização da moeda venezuelana reduziu drasticamente seu valor real. Hoje, o mesmo montante equivale a menos de US$ 0,50, a depender da taxa de câmbio utilizada, o que se traduz em apenas alguns reais por mês para quem recebe somente o piso legal.
Na prática, o salário mínimo deixou de cumprir o papel de referência mínima de subsistência para grande parte dos venezuelanos. Muitos passaram a depender de remessas enviadas do exterior, de atividades informais e de uma série de bônus extraordinários pagos pelo Estado, como benefícios alimentares e adicionais temporários.
Esses complementos, contudo, não integram o salário base e não são contabilizados para direitos trabalhistas como férias ou aposentadoria, aprofundando a sensação de insegurança entre os trabalhadores e ampliando a distância entre o valor oficial do piso e o custo real de vida no país.
Economia pressionada por câmbio e inflação
A manutenção de um salário nominal tão baixo, somada à perda constante do poder de compra da moeda local, reflete a pressão cambial e o avanço da inflação que vêm afetando a economia venezuelana nos últimos anos. Mesmo benefícios complementares frequentemente mencionados pelo governo, como vouchers alimentares ou o chamado “ingreso de guerra económica”, não são suficientes para reverter o quadro de renda comprimida.
O resultado é um cenário de renda real reduzida e alta vulnerabilidade financeira para grande parcela da população, que enfrenta dificuldades crescentes para custear itens básicos em um ambiente de instabilidade política, econômica e social.