Bitcoin acumula queda de 22,47% em fevereiro e registra quinto mês seguido de perdas

Criptomoeda despencou de cerca de US$ 75 mil para perto de US$ 60 mil em pouco mais de um dia; consultoria aponta fevereiro entre os piores meses desde 2020

07/02/2026 às 07:16 por Redação Plox

O Bitcoin começou 2026 em forte desvalorização e já emenda uma das piores sequências negativas de sua história recente. Entre o início de fevereiro e o dia 5, a principal criptomoeda do mundo acumulou queda de 22,47% em reais, consolidando o quinto mês consecutivo de perdas. Só na quinta-feira (5/2), o ativo saiu da faixa de US$ 75 mil (cerca de R$ 390 mil) para perto de US$ 60 mil (R$ 310 mil), um tombo de aproximadamente 17% em pouco mais de um dia.

Bitcoin

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Desempenho de fevereiro está entre os piores desde 2020

Análise da consultoria Elos Ayta mostra que o retorno mensal do Bitcoin em reais em fevereiro de 2026 já figura entre os episódios mais negativos da série histórica recente. A retração atual é o terceiro pior mês registrado desde janeiro de 2020, atrás apenas de maio de 2021, quando o criptoativo despencou 39,4%, e de junho de 2022, com queda de 29,54%.

O levantamento também destaca a volatilidade característica da criptomoeda. A maior valorização mensal desde janeiro de 2020 ocorreu em outubro de 2021, quando o Bitcoin avançou 49,36% em reais. Em outros momentos, altas acima de 40% em um único mês também se repetiram, evidenciando que o ativo alterna fases de euforia intensa com períodos prolongados de correção.

Queda prolongada é rara e remete a ciclos de ajuste profundo

A sequência atual de cinco meses seguidos de desvalorização chama atenção não apenas pela intensidade das perdas, mas também pela sua raridade estatística, segundo a Elos Ayta. Desde janeiro de 2014, o Bitcoin enfrentou cinco meses consecutivos de queda em apenas duas ocasiões:

De dezembro de 2013 a abril de 2014, após o primeiro grande ciclo especulativo do ativo; e entre agosto e dezembro de 2018, na reta final do chamado “inverno cripto” que se seguiu à bolha de 2017.

Esse comportamento coloca novamente o Bitcoin em um padrão típico de fases de ajuste profundo de preços, geralmente associado a processos de desalavancagem, reprecificação de expectativas e redução do apetite ao risco em escala global.

Para a Elos Ayta, fevereiro de 2026 já entra para a história como um dos meses mais negativos do Bitcoin, mesmo considerando apenas os dados até o dia 5. Na leitura da consultoria, a sequência de cinco meses de perdas é incomum, o retorno anualizado voltou ao campo negativo e o ambiente para o investidor exige mais disciplina do que entusiasmo, ao mesmo tempo em que a própria série histórica mostra que o Bitcoin é um ativo de extremos, capaz tanto de perdas profundas quanto de valorizações raras em outros mercados.

‘FUD’ e narrativas exageradas pesam sobre o mercado

Na avaliação de Rony Szuster, head de research da plataforma de ativos digitais Mercado Bitcoin, a queda recente é resultado de uma combinação de fatores, entre eles narrativas consideradas “exageradas” no mercado cripto.

Ele lembra o conceito de FUD, sigla em inglês para “Fear, Uncertainty and Doubt” (medo, incerteza e dúvida), usado para descrever o conjunto de manchetes, boatos e discursos alarmistas que, mesmo sem serem totalmente precisos, conseguem afetar o sentimento dos investidores e pressionar os preços.

Segundo Szuster, o movimento atual do mercado foi guiado sobretudo por fluxo e percepção de risco, e não por uma mudança estrutural no funcionamento da rede do Bitcoin.

Estratégia de longo prazo e compras recorrentes

Para o investidor, a orientação de Szuster é manter a disciplina e seguir com a estratégia de aportes regulares, mesmo em cenário de forte correção. Na visão dele, períodos de estresse de mercado tendem a ser determinantes para o desempenho de longo prazo, justamente porque muitos participantes desistem nos momentos de maior pessimismo.

Ele ressalta que, em fases de queda acentuada, o mesmo valor em reais permite comprar uma quantidade maior de Bitcoins do que em semanas anteriores, o que pode melhorar o preço médio de entrada de quem investe de forma recorrente.

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