CPI do Crime Organizado mira Banco Master e pede convocação de investigados e ligados a suspeitas

Requerimentos do relator Alessandro Vieira incluem Daniel Vorcaro, Viviane Barci e parentes do ministro Dias Toffoli, além de pedidos de quebras de sigilo e RIFs do Coaf

07/02/2026 às 10:17 por Redação Plox

A CPI do Crime Organizado, em funcionamento no Senado Federal, passou a incluir informalmente o escândalo envolvendo o Banco Master em seu radar. O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou na última semana uma série de requerimentos para convocar personagens ligados às suspeitas que cercam a instituição financeira.

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal

Foto: Twitter/reprodução


Entre os nomes que o parlamentar quer ouvir estão o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Fabiano Zettel, que doou R$ 5 milhões para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

CPI mira parentes de ministros do STF e ex-sócios do Master

Vieira protocolou pedidos de convocação que alcançam os irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a advogada Viviane Barci. Ela firmou um contrato de honorários de R$ 129 milhões com o Banco Master e é casada com o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente da Corte.

O relator apresentou mais de dez requerimentos relacionados a suspeitas de fraude atribuídas ao banco de Vorcaro. A justificativa, segundo ele, está em indícios de operações de lavagem de dinheiro supostamente realizadas pelo Master para uma empresa ligada ao crime organizado.

A inclusão do Master (na CPI) nada mais é do que o segmento do plano de trabalho porque ele previa, desde o início, a apuração da atuação de fintechs, do mercado financeiro e de escritórios de advocacia em lavagem de dinheiro — Alessandro Vieira

De acordo com o senador, a tendência é que os pedidos sejam votados pela comissão depois do recesso de Carnaval.

Requerimentos acumulados e foco em contratos milionários

Outros integrantes da CPI já haviam se movimentado na mesma direção. Os senadores de oposição Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) apresentaram, no mês passado, requerimentos para ouvir Viviane Barci e os irmãos de Dias Toffoli — José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli. Há três pedidos distintos para convocar Daniel Vorcaro, apresentados por Alessandro Vieira, Magno Malta e Marcos do Val (Podemos-ES).

Quem são os alvos da CPI e o que está em jogo

Viviane Barci de Moraes: advogada contratada por R$ 129 milhões pelo Banco Master, valor considerado muito elevado para os serviços prestados. A suspeita registrada no pedido é de que o contrato possa ter sido um "negócio jurídico simulado", usado para viabilizar tráfico de influência a partir da relação de Barci com o STF. Ela é casada com o ministro Alexandre de Moraes.

Mário Umberto Degani: primo do ministro Dias Toffoli e ex-sócio do resort Tayayá. Fundos ligados ao Banco Master compraram a participação dos irmãos do ministro nesse empreendimento.

José Carlos Dias Toffoli Cônego: empresário e irmão de Dias Toffoli. Ele e o irmão José Eugênio venderam suas cotas no resort Tayayá para fundos associados ao Master.

José Eugênio Dias Toffoli: irmão do ministro, participou das negociações com os fundos ligados ao Master que assumiram participação no Tayayá. Ele e José Carlos foram sócios do resort por meio da empresa Maridt Participações entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2025.

Augusto Ferreira Lima: ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, investigado na operação Compliance Zero. Além da convocação, Vieira quer que o Senado Federal forneça todos os registros de entrada e saída de Augusto nas dependências da Casa.

Daniel Vorcaro: dono do Banco Master e figura central da investigação da Polícia Federal sobre suposta fraude bilionária envolvendo títulos podres negociados pela instituição com o BRB.

Ângelo Antônio Ribeiro da Silva: sócio do Banco Master que chegou a ser preso pela Polícia Federal na operação Compliance Zero. Ele é apontado como suspeito de participação na mesma fraude bilionária atribuída a outros ex-diretores do banco.

Quebras de sigilo e relatórios do Coaf no alvo da comissão

Alessandro Vieira também apresentou requerimento para que a CPI vote a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do escritório de advocacia de Viviane Barci a partir de 2022. O senador quer ainda que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) relacionado à empresa.

O documento reúne informações sobre movimentações bancárias atípicas e analisa operações acima de R$ 100 mil, sendo normalmente produzido quando há indícios de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou financiamento de atividades ilícitas. Outro requerimento do relator mira a Lex Instituto de Estudos Jurídicos, entidade dirigida por Viviane Barci.

Vieira também pediu que o Coaf elabore e encaminhe o RIF referente ao escritório Rangel Advocacia, do qual a ex-mulher do ministro Toffoli, Roberta Maria Rangel, é uma das sócias. Em 2021, ela integrou a banca de Walfrido Warde, que atuou na defesa de Daniel Vorcaro até janeiro deste ano. O relator quer ainda o RIF específico do próprio Banco Master, ampliando o cerco financeiro em torno da instituição e de seus principais interlocutores.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a