CPI do Crime Organizado amplia foco e mira escândalo do Banco Master

Relator Alessandro Vieira apresentou requerimentos para ouvir executivos e solicitar diligências sobre suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro citadas em apurações da PF

07/02/2026 às 07:03 por Redação Plox

BRASÍLIA – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ampliou informalmente o seu escopo e passou a incluir o escândalo envolvendo o Banco Master nas investigações. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou na última semana uma série de requerimentos para a convocação de personagens ligados ao caso.

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal

Foto: Twitter/reprodução


CPI mira banqueiro, empresários e aliados de ministros do STF

Entre os nomes que o relator quer ouvir está o do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e alvo da investigação da Polícia Federal sobre uma suposta fraude bilionária com títulos podres negociados com o BRB. Outro senador apresentou requerimento para convocar o empresário Fabiano Zettel, que doou R$ 5 milhões às campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Vieira também protocolou pedidos de convocação que alcançam os irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a advogada Viviane Barci. Ela é casada com o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente da Corte, e firmou um contrato de honorários de R$ 129 milhões com o Banco Master.

Ao todo, o relator apresentou mais de dez requerimentos relacionados a suspeitas de fraude atribuídas ao banco de Vorcaro. A justificativa é a existência de indícios de operações de lavagem de dinheiro supostamente realizadas pelo Master para uma empresa ligada ao crime organizado.

A inclusão do Master (na CPI) nada mais é do que o segmento do plano de trabalho porque ele previa, desde o início, a apuração da atuação de fintechs, do mercado financeiro e de escritórios de advocacia em lavagem de dinheiro, afirmou.

Alessandro Vieira

Segundo o relator, a tendência é que os pedidos sejam votados pela comissão após o recesso de Carnaval.

Requerimentos anteriores e outros autores

Antes da ofensiva de Vieira, outros parlamentares já haviam apresentado requerimentos semelhantes. Os senadores de oposição Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) pediram no mês passado a convocação de Viviane Barci e dos irmãos de Dias Toffoli, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli.

Os requerimentos para ouvir Vorcaro somam três, assinados pelo próprio relator, Alessandro Vieira, por Magno Malta e pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES).

Quem a CPI quer ouvir e o que está em jogo

Viviane Barci de Moraes: advogada contratada por R$ 129 milhões pelo Banco Master, valor considerado muito elevado para os serviços prestados, de acordo com os requerimentos. A suspeita é de que o contrato possa ter sido um "negócio jurídico simulado", caracterizando tráfico de influência para explorar sua relação com o STF. Ela é casada com o ministro Alexandre de Moraes.

Mário Umberto Degani: primo do ministro Dias Toffoli e ex-sócio do resort Tayayá. Fundos ligados ao Banco Master compraram a participação dos irmãos do ministro nesse empreendimento.

José Carlos Dias Toffoli Cônego: empresário e irmão de Dias Toffoli. Ele e o irmão José Eugênio venderam suas participações no Tayayá para fundos associados ao Banco Master.

José Eugênio Dias Toffoli: também irmão do ministro do STF, participou das negociações com os fundos ligados ao Master que adquiriram participação no resort Tayayá. Os dois irmãos foram sócios do empreendimento por meio da empresa Maridt Participações entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2025.

Augusto Ferreira Lima: ex-CEO e sócio do Banco Master, investigado na operação Compliance Zero. Além do pedido de convocação, o relator quer que o Senado forneça todos os registros de entrada e saída de Augusto Ferreira Lima nas dependências da Casa.

Daniel Vorcaro: proprietário do Banco Master e figura central da investigação da Polícia Federal sobre a suposta fraude bilionária com títulos podres negociados com o BRB.

Ângelo Antônio Ribeiro da Silva: sócio do Banco Master que chegou a ser preso pela PF durante a operação Compliance Zero. É apontado como suspeito na mesma fraude bilionária, ao lado de outros ex-diretores da instituição.

Pedidos de quebra de sigilo e atuação do COAF

Vieira também apresentou requerimento para que a CPI vote a transferência dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do escritório de advocacia de Viviane Barci a partir de 2022. Ele quer ainda que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) encaminhe o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da empresa.

O RIF reúne informações sobre movimentações bancárias consideradas atípicas e analisa operações acima de R$ 100 mil, normalmente emitido quando há indícios de lavagem de dinheiro, ocultação de bens ou financiamento de atividades ilícitas. Outro requerimento mira a Lex Instituto de Estudos Jurídicos, entidade comandada por Viviane Barci.

O relator também solicitou que o COAF produza o RIF do escritório Rangel Advocacia, do qual a ex-mulher de Dias Toffoli, Roberta Maria Rangel, é sócia. Em 2021, ela integrou a banca do advogado Walfrido Warde, que defendeu Daniel Vorcaro até janeiro deste ano. Vieira pediu ainda o RIF do próprio Banco Master.

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