Maduro é retirado do poder após operação dos EUA, e Delcy Rodríguez assume transição na Venezuela

Governo interino anuncia anistia e busca aliviar sanções enquanto protestos em Caracas pedem libertação do ex-presidente e de Cilia Flores

07/02/2026 às 07:31 por Redação Plox

No dia 3 de janeiro de 2026, ainda no clima de fim de ano, a política venezuelana sofreu uma reviravolta. Nicolás Maduro foi retirado à força do cargo de presidente após uma operação militar dos Estados Unidos, comandada por Donald Trump. Um mês depois, a Venezuela vive um período de transição tensa, com rearranjo de forças e forte disputa de narrativas.

Enquanto parte do chavismo e do aparato estatal classifica a ação como “sequestro” e ocupa as ruas para exigir a libertação de Maduro, o governo interino liderado por Delcy Rodríguez tenta se equilibrar entre o discurso de resistência a Washington e a necessidade de conter a crise econômica e diplomática.

Nicolás Maduro capturado em imagem divulgada por Donald Trump

Nicolás Maduro capturado em imagem divulgada por Donald Trump

Foto: (Reprodução: Redes Sociais/Donald Trump)


Aliada de Maduro assume comando interino

Histórica aliada de Maduro e sua vice-presidente por anos, Delcy Rodríguez assumiu a chefia interina por decisão das instituições controladas pelo chavismo. A missão é administrar um duplo desafio: preservar a base governista, que cobra firmeza contra os Estados Unidos, e, ao mesmo tempo, evitar um colapso econômico e institucional.

A aposta do governo interino é combinar discurso nacionalista com gestos de abertura econômica e diplomática. Na prática, isso significa manter a retórica de contestação à operação norte-americana enquanto negocia com Washington termos mínimos de cooperação e alívio de sanções.

Ruas ocupadas e pressão por libertação de Maduro

Na última quarta-feira (4/2), manifestações em Caracas voltaram a reunir milhares de apoiadores do chavismo. Os atos pediram a libertação de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, reforçando que o episódio segue mobilizando parte expressiva da sociedade e mantém a polarização política em alta.

Do lado dos Estados Unidos, o que se sabe oficialmente é que Maduro foi levado ao país e passou a responder a acusações em instâncias federais. O caso vem sendo usado por Washington como eixo de pressão política e econômica sobre Caracas, em meio à redefinição das relações bilaterais.

Anistia ampla e libertação de presos

Entre as primeiras medidas adotadas após a captura de Maduro está o anúncio de um projeto de anistia com libertação de detentos, incluindo ativistas e opositores. O gesto sinaliza tentativa de distensionar o ambiente interno e enviar mensagem de mudança à comunidade internacional.

Organizações de direitos humanos, porém, receberam a iniciativa com cautela. Os grupos cobram critérios claros para a seleção dos beneficiados e defendem que a anistia seja acompanhada do desmonte de estruturas repressivas usadas ao longo dos últimos anos contra críticos do regime.

Petróleo impulsiona nova fase econômica

A economia, em especial o setor petrolífero, tornou-se o centro da agenda do governo interino. Em meio à transição, foram aceleradas reformas no marco regulatório do petróleo, com o objetivo de atrair investimentos e recuperar a capacidade produtiva do país.

Paralelamente, os Estados Unidos começaram a flexibilizar sanções e a autorizar operações ligadas ao petróleo venezuelano. Uma das medidas foi a concessão de licença para fornecimento de diluentes, insumo essencial para viabilizar parte da produção.

Dados recentes da agência de notícias Reuters indicam um salto nas exportações de petróleo: de 498 mil barris por dia, em dezembro de 2025, para 800 mil em janeiro de 2026. Com isso, autoridades venezuelanas passaram a reforçar uma narrativa de “normalização” e retomada da produção como prioridade nacional para reposicionar o país no mercado energético.

Reaproximação cautelosa com Washington

Em resposta ao novo cenário, Washington enviou um alto representante a Caracas e passou a tratar a interlocução com Delcy Rodríguez como um canal de gestão da crise. O movimento sinaliza uma tentativa de institucionalizar o diálogo, ainda que sob forte cálculo político dos dois lados.

A relação, no entanto, segue marcada por desconfiança e disputa de versões sobre a operação que levou à captura de Maduro e sobre o futuro do sistema político venezuelano. A transição em curso ainda não tem contornos definidos, e analistas apontam incerteza tanto sobre até onde os EUA estão dispostos a avançar quanto sobre qual tipo de arranjo será considerado aceitável em Caracas.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a