CCJ da CLDF convoca presidente do BRB e secretário adjunto após faltarem a audiência
Nelson Antônio de Souza e Daniel Izaías de Carvalho deverão explicar a situação financeira do banco, em meio a críticas sobre falta de documentos e alegações de sigilo
07/04/2026 às 15:30por Redação Plox
07/04/2026 às 15:30
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou a convocação do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e do secretário adjunto de Economia do governo do Distrito Federal, Daniel Izaías de Carvalho, para prestarem informações sobre a situação financeira da instituição.
A decisão foi tomada após os dois faltarem à audiência pública marcada para esta terça-feira (7), contrariando um acordo feito anteriormente com o Legislativo local e provocando críticas de deputados distritais.
Presidente do Banco de Brasília é convocado para prestar depoimento na CCJ.
Foto: Reprodução
Falta a audiência leva CCJ a aprovar convocação
Souza e Carvalho haviam sido chamados inicialmente por convite. A expectativa era que comparecessem espontaneamente, após terem dito publicamente que iriam à audiência para explicar a operação fracassada de aquisição do Banco Master e as medidas de governança adotadas pelo BRB.
Ao abrir a sessão da CCJ, o presidente da comissão, o deputado distrital Thiago Manzoni (PL), afirmou que a convocação havia sido convertida em convite depois de um “compromisso público” de que o comparecimento ocorreria em 7 de abril.
A ausência dos convidados, especialmente diante da gravidade dos fatos, não é apenas um desrespeito a esta comissão. É, sobretudo, um desrespeito ao cidadão do DF, que tem o direito de saber o que está acontecendo com o BRB, uma instituição financeira pública que movimenta bilhões de reais e que desempenha papel central na economia do DF
Thiago Manzoni (PL)
Deputado critica respostas do banco a pedidos de informação
A ausência também foi criticada pelo deputado Fábio Félix (PSOL). Depois de mencionar reportagens que, segundo ele, indicam “a gravidade dos fatos” envolvendo o banco público, o parlamentar lamentou a forma como autoridades do DF têm respondido às demandas sobre o caso.
Félix afirmou que gabinetes da Câmara Legislativa têm apresentado requerimentos de informação para obter acesso a documentos, mas que as respostas do BRB têm sido negativas, com justificativas de sigilo. Segundo ele, sem essas informações, os parlamentares não conseguem acompanhar a real situação do banco, e os depoimentos são essenciais para esclarecer o que ocorre no governo do DF e no BRB.
O deputado também afirmou que há responsabilidade política pelo caso, por o governo do DF ser o controlador do BRB. Ele disse ainda que os dois projetos de lei em favor da operação foram encaminhados à Câmara Legislativa pelo ex-governador Ibaneis Rocha e que houve atuação política para que fossem aprovados com rapidez.
Congresso também aprova convocação em comissão mista
No Congresso Nacional, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado esperava ouvir nesta terça-feira o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, que não compareceu à sessão.
Ele já havia faltado, como convidado, a outras duas reuniões. Em resposta, o colegiado também aprovou a convocação. O ex-governador era esperado para falar sobre as negociações do BRB para a compra do Banco Master, operação que foi impedida pelo Banco Central.
Entenda o caso
O banco estatal do DF enfrenta uma crise de confiança e problemas de liquidez em razão de prejuízos associados à compra bilionária de carteiras de crédito e de ativos de baixa liquidez negociados pelo Banco Master.
A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na compra de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos do banco.