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Documentos da Receita Federal enviados à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado que investiga o crime organizado indicam que o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, do qual Viviane Barci de Moraes é uma das sócias, recebeu R$ 40,11 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em 2024.
Viviane é mulher do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. O escritório tinha contrato com o Master.
Viviane e Alexandre de Moraes
Foto: Divulgação
Os pagamentos constam em uma declaração de Imposto de Renda do banco, cujo sigilo fiscal foi quebrado pela CPI do Crime Organizado. Segundo dados da Receita obtidos pela Folha, a instituição declarou 11 pagamentos mensais de R$ 3.646.529,72 ao escritório em 2024, totalizando R$ 40.111.826,92.
Procurado, o Barci de Moraes afirmou que não confirma as informações, que classificou como incorretas e vazadas ilicitamente, e disse que dados fiscais são sigilosos. O escritório não informou qual seria o valor correto. Alexandre de Moraes foi procurado, mas não se manifestou até a publicação do texto.
Nesta terça-feira (7/4), durante sessão plenária do Senado, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), informou que os dados haviam sido entregues à comissão. Segundo ele, a Receita Federal teria enviado informações incompletas sobre o banco, e a complementação teria chegado apenas na segunda-feira (6/4).
Mesmo com a quebra de sigilo aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito e não suspensa pela Justiça, a Receita Federal do Brasil mandou os dados incompletos. Foi preciso solicitar a reiteração, a complementação, para que chegasse o dado bancário que comprova o recebimento e a dedução de impostos pelo escritório da doutora Viviane Barci. Só em um ano, R$ 40 milhões recebidos. Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valor
senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
O contrato entre o Master e o Barci de Moraes foi assinado em 2024. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o acordo previa pagamento mensal de R$ 3,5 milhões, somando R$ 129 milhões em três anos.
Embora previsse 36 pagamentos, o contrato foi interrompido em novembro de 2025, quando a instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada pelo BC (Banco Central) e o ex-banqueiro foi preso. A defesa de Vorcaro foi procurada, mas não se manifestou.
No mês passado, o Barci de Moraes afirmou que prestou serviços de consultoria e atuação jurídica ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. De acordo com o escritório, nesse período foram realizadas 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais, na sede do Master.
O escritório também afirmou que produziu 36 pareceres e opiniões legais sobre compliance, regulação, e questões trabalhistas e previdenciárias, entre outros temas.
Também nesta terça-feira, Vieira se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para solicitar a prorrogação da CPI do Crime Organizado, mas recebeu resposta negativa. Com isso, a comissão deve ser encerrada na próxima terça-feira (14), com a votação do relatório final.
Segundo Vieira disse à imprensa, Alcolumbre preferiu não estender a CPI em meio ao período eleitoral, avaliação que o senador classificou como um “desserviço para o Brasil”.