Janela partidária fortalece centro-direita na Câmara e redesenha tamanho das bancadas
Trocas de legenda concentradas em União Brasil, PP e PL ampliam blocos críticos ao governo Lula; cerca de 120 deputados mudaram de partido até o fim do prazo
07/04/2026 às 09:20por Redação Plox
07/04/2026 às 09:20
— por Redação Plox
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O fim da janela partidária no sábado (4), período em que parlamentares podem mudar de partido sem perder o mandato, evidenciou o peso das bancadas de centro-direita na Câmara, em geral contrárias ao governo Lula. As principais movimentações ocorreram entre União Brasil, PP e PL, que mantiveram a hegemonia na Casa. Já a principal federação da base governista permanece como a terceira força no novo desenho.
Depois do fim da janela partidária, forças anti-Lula consolidam presença na Câmara
Foto: crédito: Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
No total, cerca de 120 deputados trocaram de legenda. Os números ainda estão em fechamento e podem sofrer alterações nos próximos dias, conforme a confirmação das filiações. Mesmo assim, o cenário indica que, apesar de ter sido o partido que mais encolheu no período, o União Brasil seguirá integrado à maior bancada da Câmara por causa da federação formada com o PP.
União Progressista mantém maior bancada
No balanço da janela, o União Brasil, comandado pelo empresário Antônio Rueda, teve perda líquida de 8 cadeiras. Ao todo, 29 deputados deixaram a legenda — 9 foram para o PL, 5 migraram para o Podemos e outros 5 se distribuíram por diferentes siglas. Em contrapartida, o partido recebeu 21 novos parlamentares.
O PP, comandado pelo senador Ciro Nogueira (PI), perdeu 3 deputados. Ainda assim, a federação União Progressista, que reúne União Brasil e PP, deve permanecer como a maior bancada da Câmara, com 100 deputados federais — 51 do União Brasil e 49 do PP.
Com a concentração de parlamentares mais alinhados à direita, a tendência é que essa bancada apoie a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. O PL também ampliou presença: ganhou 10 deputados e deve ficar com uma bancada entre 97 e 100 parlamentares, patamar semelhante ao da federação União Progressista.
Base do Planalto segue como terceira força
Do lado governista, a federação formada por PT, PCdoB e PV somará 81 deputados. O PT perdeu a deputada Luizianne Lins (CE), que saiu para a Rede, mas filiou o deputado Paulo Lemos (AP), que deixou o PSOL. Com isso, o partido de Luiz Inácio Lula da Silva se mantém com 67 deputados federais.
O PSB, presidido pelo prefeito de Recife, João Campos, registrou saldo positivo de 4 deputados: foram 9 filiações e 5 saídas. A bancada passa a ter 20 parlamentares, recuperando parte do espaço após o resultado de 2022, quando elegeu 15 deputados. A sigla recebeu, principalmente, nomes vindos do PDT, um dos partidos que proporcionalmente mais perderam filiados na janela.
O PDT teve a saída de 8 deputados e a entrada de apenas um. Com isso, a bancada caiu de 16 para 9 parlamentares.
Podemos tem maior avanço proporcional
O partido que mais cresceu proporcionalmente foi o Podemos, liderado pela deputada Renata Abreu (SP). A sigla recebeu ao menos 13 migrações e perdeu 2 filiados, saltando de 15 para 26 deputados. O movimento reforça o reposicionamento do partido no tabuleiro da Câmara após a janela partidária.
Entre as legendas com mudanças menores, o PSD passou de 47 para 49 deputados. Já o PSDB manteve 18 parlamentares, com possibilidade de chegar a 19: foram 7 saídas e 11 adesões. O número representa um aumento em relação aos 13 deputados que compunham a bancada tucana anteriormente. Com isso, a federação entre PSDB e Cidadania passa a reunir 20 deputados.