Justiça dos EUA mantém mapeamento de bens de Daniel Vorcaro em liquidação do Banco Master

Decisão em tribunal de falências na Flórida autoriza diligências da EFB para localizar ativos, mas anula e restringe intimações por limites processuais

07/04/2026 às 09:15 por Redação Plox

A Justiça dos Estados Unidos negou parcialmente um pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autorizou que o liquidante do Banco Master continue o trabalho de mapeamento de ativos e bens que possam integrar a massa falida do conglomerado financeiro.

Desde o mês passado, a defesa de Vorcaro contestava no Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida (EUA) medidas adotadas pela EFB Regimes Especiais, que tem apresentado pedidos e intimações no país contra empresas e pessoas que fizeram negócios com o ex-banqueiro.

Daniel Vorcaro, ex-Banco Master

Daniel Vorcaro, ex-Banco Master

Foto: crédito: Reprodução da Internet


Liquidante busca provas e amplia pedidos de intimação

O objetivo da EFB é reunir provas de supostas fraudes envolvendo ativos do banco. Segundo o texto, desde janeiro foram expedidas mais de 28 intimações contra galerias de arte e empresas do mercado de luxo.

Para a defesa de Vorcaro, o liquidante estaria violando regras da lei de falências norte-americana ao intimar empresas de forma “ampla e imprópria”, com a intenção de produzir provas contra o ex-banqueiro. Os advogados pediram uma ordem de proteção, que acabou sendo apenas parcialmente negada.

Juiz valida rastreio de bens e cita alinhamento com regras dos EUA

Em decisão proferida nesta segunda-feira (6), o juiz Scott M. Grossman afirmou que os pedidos apresentados até agora — que identificaram bens como casas, obras de luxo e empresas sediadas em paraísos fiscais — estão de acordo com a legislação brasileira que rege processos de liquidação extrajudicial e também são consistentes com as regras do direito norte-americano para casos de insolvências transfronteiriças.

O texto destaca que a lei de liquidações prevê que, após o início do processo de liquidação de uma instituição financeira, os ativos de administradores e pessoas relacionadas tornam-se inalienáveis até a conclusão das investigações e a quitação dos passivos. Esse congelamento — que também está em andamento no Brasil — pode ser estendido a indivíduos que adquiriram bens em situações em que teria havido “tentativa de burlar a lei”.

Esse arcabouço legal está alinhado com os objetivos do Capítulo 15 [da lei de falências dos EUA], que incluem a proteção dos interesses dos credores e outras partes interessadas e a maximização do valor dos ativos dos devedores, bem como o combate ao risco de que os ativos possam ser ocultados ou transferidos para fora do alcance dos credores

Scott M. Grossman

Privacidade, limites de intimações e restrições impostas pelo tribunal

Grossman ressaltou que é permitido interrogar testemunhas e coletar provas relacionadas a ativos e negócios que possam indicar a situação financeira de um investigado. Pelas regras judiciais norte-americanas, após o aval para mapear bens nos EUA, pode haver uma investigação minuciosa sobre elementos que levem à descoberta de irregularidades ligadas à massa falida.

O juiz também mencionou que promoveu audiências recentes com advogados das duas partes para entender os pedidos. No centro da disputa estavam as reclamações de Vorcaro contra a atuação da EFB, inclusive por alegações de privacidade, que, segundo a decisão, não foram detalhadas com especificidade.

Apesar de autorizar a continuidade do rastreio, Grossman anulou uma intimação feita ao Bank of New York Mellon por violar limites geográficos para a produção de documentos. Pelas regras, uma intimação não pode determinar a entrega de documentos em um local a mais de 100 milhas (cerca de 160 km) de onde a parte intimada reside ou mantém negócios regularmente.

Outras quatro intimações relacionadas a uma propriedade em Windermere, na Flórida, foram restringidas porque já existe uma ação judicial específica sobre o imóvel. Com isso, as informações deverão ser buscadas sob regras mais restritivas de litígio dentro da legislação dos EUA.

Imóvel de US$ 32 milhões está no centro de disputa específica

O imóvel citado é uma casa de US$ 32 milhões comprada pela Sozo Real Estate, empresa registrada no nome de Henrique e Natalia Vorcaro, pai e irmã do ex-banqueiro.

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